segunda-feira, 7 de julho de 2014

Obesidade Abdominal

A obesidade abdominal ou obesidade androide, isto é, o aumento de tecido adiposo na região abdominal, é considerada um fator de risco para diversas morbidades, representando risco diferenciado quando comparada a outras formas de distribuição de gordura corporal, predispondo os indivíduos a diabetes melito, hipertensão arterial, alterações desfavoráveis no perfil das lipoproteínas plasmáticas, resistência insulínica, síndrome metabólica e problemas cardiovasculares. A obesidade abdominal é composta de gordura subcutânea e gordura visceral.

          O tecido adiposo abdominal é composto de tecido adiposo intra-abdominal (tecido adiposo visceral) e tecido adiposo subcutâneo. Uma das principais diferenças entre eles é que os adipócitos do tecido adiposo visceral (TAV) são metabolicamente mais ativos e apresentam maior atividade lipolítica de que os adipócitos do tecido adiposo subcutâneo (TAS). Porém, o acúmulo de gordura visceral, está associado com hiperglicemia, hiperinsulinemia, hipertrigliceridemia e intolerância à glicose.

          Há uma variedade de técnicas para a avaliação da composição corporal, como medidas antropométricas (circunferência da cintura, razão cintura/quadril, razão cintura-estatura, índice de conicidade, e o diâmetro sagital) e medidas de imagem (tomografia computadorizada, ressonância magnética e ultrassonografia).

Circunferência da Cintura

         A circunferência da cintura (CC) é o método mais comumente usado para avaliar a adiposidade visceral, por sua simplicidade, facilidade de execução, baixo custo e reprodutibilidade.

            A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que a CC seja aferida com uma fita métrica não-flexível diretamente sobre a pele, na região mais estreita entre o tórax e o quadril ou, em caso de não haver ponto mais estreito, no ponto médio entre a última costela e a crista ilíaca, sendo a leitura feita no momento da expiração.

Quadro 1: Riscos de complicações metabólicas associadas à obesidade em função da circunferência da cintura (cm) por sexo.

RISCO AUMENTADO
RISCO MUITO AUMENTADO
HOMENS
94cm
102cm
MULHERES
80cm
88cm
Fonte: Cuppari, 2002.

Relação Cintura-Quadril (RCQ)

            É uma medida antropométrica que apresenta baixo custo, praticidade, e sensibilidade para distribuição da gordura corporal, apesar de não fornecer uma avaliação tão acurada e detalhada, já que é utilizado, na maioria das vezes, sem prévia validação na população que se pretende avaliar.

            Esse indicador é determinado pela divisão dos perímetros da cintura (cm) e do quadril (cm) e deve ser obtido pela aferição da região do quadril na área de maior protuberância e da cintura na área mais estreita entre o tórax e o quadril, fazendo parte dos critérios diagnósticos para síndrome metabólica propostos pela OMS; entretanto vem perdendo espaço para a CC, que, por se tratar de uma única medida, estaria menos sujeita à variabilidade na mensuração e características raciais.

            Os pontos de cortes estabelecidos pela OMS, para discriminar valores adequados da RCQ são inferiores a 0,85 e 1,0, para sexos feminino e masculino, respectivamente.

Relação Cintura-Estatura (RCE)

            A RCE, determinada pela divisão da circunferência da cintura (cm) pela estatura (cm), apresenta-se como um bom marcador para monitorar excesso de peso em jovens, por considerar o crescimento tanto da cintura quanto da estatura. Nesta faixa etária, indicadores antropométricos que utilizem a medida da circunferência do quadril podem ser inapropriados, pois a largura pélvica modifica-se rapidamente durante o estirão do crescimento, e esses índices poderiam estar refletindo mais essa variação do que, propriamente, o acúmulo de gordura.

       Os pontos de corte sugeridos para discriminação da obesidade abdominal e risco cardiovascular são ≥ 0,5 para homens e mulheres.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas:
Castro, RCB. Diferença metabólica entre o tecido adiposo abdominal subcutâneo e visceral. Disponível em: WWW.nutritotal.com.br Acessado em: 25/06/2014.
Cuppari, L. Nutrição Clínica no Adulto. Guias de Medicina Ambulatorial e Hospitalar –Unifesp. 1 ed. Barueri, SP: Manole, 2002: p. 71-109.

Petribú, MMV. et al. Métodos de avaliação de gordura abdominal. Rev Bras Nutr Clin 2012; v.27, n.4: p.250-256.
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