segunda-feira, 14 de julho de 2014

Síndrome da Enterocolite Induzida Por Proteína Alimentar (FPIES)

A Food Protein Induce Enterocolitis Syndrome (FPIES), Síndrome da Enterocolite Induzida Por Proteína Alimentar (FPIES) é uma hipersensibilidade gastrointestinal a alimentos, não mediada por IgE, provavelmente mediada por células, que se manifesta através de vômitos abundantes e repetitivos, às vezes com diarreia, levando a desidratação aguda e letargia. Na forma crônica, FPIES pode causar anemia, hipoalbuminemia e dificuldades no crescimento e desenvolvimento. [1]

Um estudo de Israel avaliou um grupo de 13.019 bebês de até 12 meses de idade, 0,34 % foram diagnosticados com FPIES para leite de vaca nos testes de provocação oral, em comparação, 0,5 % dos bebês foram diagnosticados com alergia mediada por IgE ao leite de vaca. [2]

Embora seja impossível estender os resultados de Israel para outras populações, este estudo sugere que FPIES pode ser uma doença mais comum do que se imagina.

Nos estudos americanos são mais frequente os Relatos de Casos de FPIES para o Leite de Vaca ou a Soja. Vários estudos demonstram que até 50 % dos pacientes reagem aos dois alimentos.

Os sintomas da FPIES normalmente começam nos primeiros meses de vida (até 1 ano de idade), normalmente de 1 (uma) a 4 (quatro) semanas após a introdução do leite de vaca ou proteína da soja. [3]

A introdução tardia do leite de vaca ou soja nas crianças exclusivamente amamentadas pode resultar em inicio tardio dos sintomas. Isto quer dizer que as mães que amamentam devem prestar bastante atenção em todos os primeiros sinais de alteração gastrointestinal de seu bebe e, se possível, fazerem um registro alimentar para poderem discutir com o gastropediatra em momento oportuno.

Ainda com base em dados americanos, arroz, aveia, cevada, frango, peru, clara de ovo, ervilhas, amendoim, peixe e moluscos são reportados como alimentos desencadeadores de reações FPIES. [4] [6] Estes “gatilhos” alimentares também são alimentos cuja fração proteica é bastante alergênica.

O Início da FPIES depois de 1 ano de idade é raro, porém, FPIES a peixe e mariscos têm sido relatados em crianças mais velhas e adultos. [6]


O arroz é o alimento sólido que mais induz a FPIES. [5] [7]. Os pacientes com histórico de FPIES a um tipo de grão têm 50 % de chance de desenvolver FPIES a outros tipos de grão.

Contudo, FPIES a trigo não foi reportada em crianças com FPIES a aveia ou arroz, provavelmente porque a introdução do trigo significativamente mais tarde nestes casos evita a “janela de suscetibilidade imunológica”. [3] [4,7]. Note-se bem que não é uma intolerância ao glúten ou Doença Celíaca e, portanto não deve-se confundir o tratamento alimentar das três patologias.

Entre as crianças com FPIES a alimentos sólidos, 80% reagiram a mais de um alimento, 65% foram diagnosticados previamente com FPIES a leite e/ou soja e 35% foram amamentados.

O diagnóstico tardio da FPIES a alimentos sólidos pode ser devido ao fato que os grãos como arroz, aveia e vegetais tem baixo potencial alergênico e normalmente não são suspeitos de desencadearem reações alérgicas [8].

A FPIES pode ser crônica ou aguda.

Na forma crônica o alimento é oferecido constantemente e a criança apresenta pequenos vômitos ou diarreias com sangue.

Quando se suspende por um período o alimento, na provocação oral se observa o FPIES de forma aguda.

Em geral, aproximadamente 75% das crianças com FPIES aparecem na forma aguda, 15% desenvolvem hipotensão e requerem hospitalização. [9]

Crianças com sintomas crônicos normalmente melhoram em 3 a 10 dias substituindo a fórmula por uma à base de caseína hidrolisada, com ou sem hidratação venosa.

Por volta de 10 a 20% das crianças podem requerer formulas à base de aminoácidos livres.

A FPIES é considerada a mais grave das hipersensibilidades alimentares gastrointestinais não mediadas por IgE. [10] FPIES precisa ser diferenciada das proctocolites induzidas por alimentos, enteropatia induzida por alimentos e esofagite eosinofilica/gastroenterocolite. Êmese aguda, diarreia e desidratação podem imitar anafilaxia gastrointestinal, doença viral, sepsis ou intoxicação gastrointestinal. Devem ser descartados, refluxo gastresofágico grave, obstrução intestinal e distúrbios metabólicos.

O teste de provocação oral deve ser conduzido em ambiente controlado onde acesso intravenoso pode ser garantido e a rápida reposição de perda volêmica pode ser feita, se necessário. Isto deixa claro que nenhum teste de provocação oral deve ser realizado em ambiente não hospitalar.

Durante um teste de provocação oral, o alimento é servido em 3 porções iguais durante 45 a 60 minutos, seguido de um período de observação de 4 horas.

A conduta consiste em evitar o alimento causador. Por volta de um terço das crianças com FPIES a leite ou soja desenvolvem FPIES a alimentos sólidos, mais comumente ao arroz e outros grãos.

Portanto, a introdução de frutas amarelas e vegetais é recomendada aos 6 meses de idade. [3, 7]

Introdução de leite de vaca e soja nessas crianças pode ser tentada após 1 ano de idade se não houver reações anteriores a estes alimentos. A tolerância a um alimento de cada grupo de alto risco, por exemplo, soja para legumes, frango para aves ou aveia para grãos, aumenta a probabilidade de tolerância a outros alimentos do mesmo grupo. [7]

Testes de provocação oral podem ser usados para estabelecer o diagnóstico ou para avaliar a tolerância da FPIES. Uma conduta conservadora recomenda testes a cada 18 a 24 meses em pacientes sem reações recentes. [7]

O objetivo de se estudar e multiplicar as informações a respeito da FPIES é de se atingir cada vez mais profissionais de saúde cuja capacitação garantirá a segurança e saúde destes bebês.

Texto elaborado por: Vanderlí Fátima Marchiori

Assessora Técnica da Faculdade de Medicina de São Jose do Rio Preto.
Vice Presidente da APFIT – Associação Paulista de Fitoterapia
Assessora Técnica da ABICAB  (Associação Brasileira das Indústrias de Cacau, Amendoim e Balas), ABITRIGO (Associação Brasileira das Indústrias do Trigo)  e ABIMA (Associação Brasileira de Massas).
Secretária Geral da Associação Brasileira de Nutrição Esportiva.
Sócia Fundadora da Sociedade Brasileira de Nutrição Esportiva
Colaboradora Técnica da Associação Paulista de Nutrição,
Fitoterapeuta pelo Medicina Natural Alternativa no Manchester Institute of Medicine.
Especialista em Nutrição Clinica Funcional - CVPE
Especialista em Psicologia Transpessoal pela Associação Luso Brasileira de Transpessoal – 2010.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas:

1.     Boyce, J., et al., Guidelines for the Diagnosis and Management of Food Allergy in the United States: Summary of the NIAIDSponsored Expert Panel Report. J Allergy Clin Immunol, 2010. 126(6 Suppl): p. S1-S58.

2.     Katz, Y., et al., The prevalence and natural course of food protein-induced enterocolitis syndrome to cow's milk: a large-scale, prospective population-based study. J Allergy Clin Immunol, 2011. 127(3): p. 647-653.

3.     Nowak-Wegrzyn, A., et al., Food protein-induced enterocolitis syndrome caused by solid food proteins. Pediatrics, 2003. 111(4 Pt 1): p. 829-835.

4.     Nowak-Wegrzyn, A. and A. Muraro, Food protein-induced enterocolitis syndrome. Curr.Opin.Allergy Clin Immunol, 2009. 9(4): p. 371-377.

5.     Mehr, S., et al., Food protein-induced enterocolitis syndrome: 16-year experience. Pediatrics, 2009. 123(3): p. e459-e464.

6.     Sampson, H.A. and J.A. Anderson, Summary and recommendations: Classification of gastrointestinal manifestations due to immunologic reactions to foods in infants and young children. J Pediatr Gastroenterol Nutr, 2000. 30: p. S87-S94.
7.     Sicherer, S.H., Food protein-induced enterocolitis syndrome: Case presentations and management lessons. J Allergy Clin Immunol, 2005. 115(1): p. 149-156.

8.     Nowak-Wegrzyn, A., Future approaches to food allergy. Pediatrics, 2003. 111(6 Pt 3): p. 1672-1680.

9.     Caubet, J.C. and A. Nowak-Wegrzyn, Current understanding of the immune mechanisms of food protein-induced enterocolitis syndrome. Expert.Rev.Clin Immunol, 2011. 7(3): p. 317-327.

10.  Leonard, S.A. and A. Nowak-Wegrzyn, Food protein-induced enterocolitis syndrome: an update on natural history and review of management. Ann.Allergy Asthma Immunol, 2011. 107(2): p. 95-101.

11.  Nowak-Wegrzyn, A., et al., Work Group report: oral food challenge testing. J Allergy Clin Immunol, 2009. 123(6 Suppl): p. S365-S383.


12.  Sicherer, S.H., P.A. Eigenmann, and H.A. Sampson, Clinical features of food-proteininduced entercolitis syndrome. J Pediatr, 1998. 133(2): p. 214-219.
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