domingo, 17 de maio de 2015

Alimentos Orgânicos



       Têm sido observados sinais que evidenciam uma mudança de hábito alimentar entre os brasileiros, na direção de uma maior demanda por produtos orgânicos.

       Considera-se produto da agricultura orgânica ou produtos orgânicos, seja ele in natura ou processado, aquele obtido em sistema orgânico de produção agropecuário ou oriundo de processo extrativista sustentável e não prejudicial ao ecossistema local. A agricultura orgânica se baseia no emprego mínimo de insumos externos. No entanto, devido à contaminação ambiental generalizada, as práticas de agricultura orgânica não podem garantir a ausência total de resíduos. Contudo, é possível aplicar métodos que visem à redução, ao mínimo, da contaminação do ar, do solo e da água.

            No Brasil, o sistema orgânico de produção está regulamentado pela Lei Federal n° 10.831, de 23 de Dezembro de 2003, que contém normas disciplinares para a produção, tipificação, processamento, envase, distribuição, identificação e certificação da qualidade dos produtos orgânicos, sejam de origem animal ou vegetal. De acordo com a referida Lei, considera-se sistema orgânico de produção agropecuária todo aquele em que são adotadas técnicas específicas, mediante a otimização do uso dos recursos naturais e socioeconômicos disponíveis e o respeito à integridade cultural das comunidades rurais, tendo por objetivo a sustentabilidade ecológica e econômica, a maximização dos benefícios sociais, a minimização da dependência de energia não renovável, empregando, sempre que possível, métodos culturais, biológicos e mecânicos, em contraposição ao uso de materiais sintéticos, a eliminação do uso de organismos geneticamente modificados e radiações ionizantes, em qualquer fase do processo de produção, processamento, armazenamento, distribuição e comercialização, e a proteção do meio ambiente.

            Os produtos comercializados in natura, sobretudo as hortaliças, são os mais expressivos na produção orgânica nacional. Entre os produtos orgânicos destinados à exportação, merecem destaque a soja, o café, cacau, açúcar mascavo, erva-mate, suco de laranja, mel, frutas secas, castanha de caju, óleos essenciais, óleo de palma, frutas tropicais, palmito, guaraná e arroz.

            Estima-se que 90% dos agricultores orgânicos no país sejam classificados como pequenos produtores ligados a associações e grupos de movimentos sociais. Os 10% restantes são representados pelos grandes produtores vinculados a empresas privadas. Os agricultores familiares são responsáveis por 70% da produção orgânica, com maior expressão na região sul do país, enquanto na região sudeste, observa-se maior adesão aos sistemas orgânicos de produção por parte de propriedades de grande porte.

            Existem três formas de garantia de que o produto é orgânico, definidas na Lei dos Orgânicos:

1) Avaliação da Conformidade por meio de Sistemas Participativos de Garantia, ou simplesmente SPG: são formados por um Organismo Participativo e Avaliação da Conformidade (OPAC) e pelos membros do Sistema Participativo de Garantia, que podem vir a ser produtores, organizações (associações ou cooperativas), ONGs, órgãos públicos, técnicos, consumidores, processadores, distribuidores, transportadores, armazenadores e comerciantes de alimentos orgânicos. Os SPGs se distinguem pelo controle social, participação e responsabilidade que todos os membros exercem e pelo cumprimento dos regulamentos da produção orgânica.

Os Sistemas Participativos de Garantia - SPG são grupos formados por produtores, consumidores, técnicos e pesquisadores que se auto-certificam, ou seja, estabelecem procedimentos de verificação das normas de produção orgânica daqueles produtores que compõe o SPG. Precisam ser credenciados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento que fiscaliza seu trabalho. Os produtos do SPG recebem o selo brasileiro.

2) Certificação por Auditoria: a certificação é dada por uma instituição que inspeciona as condições técnicas, sociais e ambientais da produção e verifica se essas condições estão de acordo com as exigências dos regulamentos da produção orgânica.

3) Venda Direta de Produtos Orgânicos sem Certificação: neste caso, o princípio de garantia da qualidade está na relação de confiança entre as famílias de agricultores familiares e os consumidores. O agricultor familiar deve participar de uma Organização de Controle Social (OCS) e ser cadastrado em um órgão fiscalizador. Por outro lado, o consumidor e o órgão fiscalizador devem poder saber onde e como esse produto é produzido. A OCS deverá ter processo próprio de controle, estar ativa e garantir o direito de visita pelos consumidores, assim como o livre acesso do órgão fiscalizador. É por isso que neste sistema de fiscalização só podem ser comercializados produtos no mesmo município ou bem próximos a ele.

No caso de venda direta, o agricultor familiar já cadastrado no Ministério da Agricultura deverá colocar no rótulo do produto, ou deve apresentar para a pessoa que está fazendo a compra, a expressão: “Produto orgânico para venda direta por agricultores familiares organizados, não sujeito à certificação, de acordo com a Lei n° 10.831, de 23 de Dezembro de 2003”.


Consumo de Alimentos Orgânicos

            Os meios de comunicação têm divulgado as vantagens da alimentação baseada em produtos orgânicos, o que vem contribuindo para aumentar o número de consumidores destes alimentos. O crescimento do consumo não está diretamente relacionado com o valor nutricional dos alimentos, mas aos diversos significados que lhes são atribuídos pelos consumidores. Tais significados variam desde a busca por uma alimentação saudável, de melhor qualidade e sabor, até a preocupação ecológica de preservar o meio ambiente.

            O preço dos alimentos orgânicos é considerado um fator limitante para o consumo dos mesmos. No mercado de produtos orgânicos não existe um parâmetro definido para o estabelecimento de preços, mas sabe-se que as estratégias de atribuição de preços variam amplamente de acordo com o estabelecimento comercial. Por exemplo, nas grandes redes varejistas o sobre-preço cobrado em relação aos produtos convencionais é elevado, enquanto nas feiras de produtos orgânicos esta diferença é reduzida. Em média, os produtos orgânicos in natura têm um sobre-preço de 40%, quando comparados aos produtos convencionais, porém, alguns produtos, como o trigo e o açúcar, chegam a custar (venda ao atacado), respectivamente, 200% e 170% acima do convencional.

Quadro 1. Presença de Agrotóxicos nos Alimentos.

Produto
N° de Amostras Analisadas
Total de Insatisfatórios
%
Batata
165
2
1,2%
Feijão
164
5
3,0%
Banana
170
6
3,5%
Maçã
170
9
5,3%
Manga
160
13
8,1%
Laranja
146
15
10,3%
Cebola
160
26
16,3%
Repolho
166
34
20,5%
Cenoura
165
41
24,8%
Arroz
162
44
27,2%
Beterraba
172
55
32,0%
Tomate
144
47
32,6%
Alface
138
53
38,4%
Mamão
170
66
38,8%
Abacaxi
145
64
44,1%
Couve
129
57
44,2%
Morango
128
65
50,8%
Pepino
146
80
54,8%
Uva
165
93
56,4%
Pimentão
165
132
80,0%
Total
3130
907
29,0%
                                                Fonte: Bertolucci, P.

Composição Nutricional de Alimentos Orgânicos e Convencionais

Uma recente publicação analisou os resultados de centenas de artigos científicos que comparavam a composição nutricional de alimentos cultivados organicamente com aqueles cultivados convencionalmente. O resultado é que, exceto poucos estudos que alegaram o contrário, não há diferença na quantidade de nutrientes encontrados.

Há na literatura alguns trabalhos que relatam diferenças quanto à composição nutricional de alimentos cultivados de maneira orgânica e convencional, mas estes dados ainda são insuficientes para que se possa afirmar com convicção. Um estudo apontou maior quantidade de fósforo nos alimentos orgânicos, e de nitrogênio nos convencionais, mas, segundo os autores, isto pode ser sido devido ao uso de diferentes fertilizantes.
Apesar da maioria dos estudos científicos apontar para a similaridade na composição nutricional desses produtos, a grande disparidade entre eles está na quantidade de contaminantes.
Em um dos trabalhos publicados verificou-se a influência de diferentes tipos de fertilizantes sobre os principais componentes antioxidantes de tomates e concluiu-se que as fontes de adubos podem ter um expressivo efeito sobre a concentração destes compostos. A utilização de adubos orgânicos aumentou os níveis de fenólicos totais e o ácido ascórbico. Porém, os autores afirmam que são necessários estudos em escala comercial para que seja possível a confirmação de tais resultados.

No que diz respeito a contaminantes minerais, ao comparar alimentos vegetais orgânicos e convencionais, autores observaram maiores concentrações de cálcio, ferro, magnésio, fósforo, potássio, zinco, sódio e selênio nos orgânicos. Já outros minerais, como o alumínio, chumbo e mercúrio apresentavam-se em menores quantidades, quando comparados aos alimentos convencionais.

Patologias Relacionadas com Frequente Exposição Ao Agrotóxico

Irritações na mucosa da pele: Mais de 90% da absorção dos agrotóxicos se dá pela pele, e o restante e por ingestão e inalação. Por isso, os trabalhadores podem ser mais afetados;

Distúrbios no aparelho reprodutivo: Estudo do Fiocruz mostra tendência de queda na quantidade e qualidade dos espermas dos homens devido a alterações hormonais pelos agrotóxicos;

Distúrbios Endócrinos: Altera produção de hormônios, contribuindo para o desenvolvimento de diferentes tipos de câncer como de próstata, testículos, mama, ovário e tireoide;

Doenças Cognitivas: O cérebro é alvo dos pesticidas, ele está ligado também a doenças como Alzheimer, Parkinson, autismo, depressão, transtornos de ansiedade, hiperatividade e déficit de atenção;

● Crianças mesmo com doses baixas podem se intoxicar mais rápido com os agrotóxicos e são especialmente vulneráveis a neurotoxinas, podendo interferir no processo de desenvolvimento conduzido pelos hormônios.

Como Reduzir a Ingestão de Agrotóxicos?

● Optar por alimentos certificados como, os orgânicos ou alimentos da época, que necessitam de menos agrotóxicos para o cultivo. Um jeito fácil de saber quais os alimentos da época é pelo preço em mercados e feiras semanais onde são mais baratos e também os que estão notavelmente expostos em maior quantidade;

● Utilizar produtos de origem identificada, pois o comprometimento dos produtores acaba sendo maior em relação à qualidade, com a adoção das boas práticas agrícolas;

● Lembrar que a lavagem dos alimentos em água corrente elimina apenas parte dos resíduos de agrotóxicos de sua superfície, já os agrotóxicos sistêmicos, por terem sido absorvidos pela planta, permanecerão nos alimentos mesmo que lavados.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizada única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas:

Bertolucci, P. Alimentos Orgânicos. Disponível em: www.patriciabertolucci.com.br

Borguini, RG; Torres, EAFS. Alimentos Orgânicos: Qualidade Nutritiva e Segurança do Alimento. Rev. Segurança Alimentar e Nutricional 2006; v. 13, n.2, p: 64-75.

Cartilha: Orgânicos na Alimentação Escolar - A Agricultura Familiar Alimentando o Saber, 2010.

Lei Federal n° 10.831. Disponível em: www.agricultura.gov.br

Lewinski, IW. Existe diferença entre a composição nutricional de alimentos orgânicos e convencionais? Disponível em: www.nutritotal.com.br
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