domingo, 19 de julho de 2015

Insatisfação Corporal na Adolescência



             A Organização Mundial de Saúde (OMS) define adolescência como o período compreendido entre dez e dezenove anos de idade. Nessa etapa, o crescimento e o desenvolvimento físico são fortemente influenciados pela interação de fatores genéticos e ambientais.

            Na atualidade, há uma enorme exigência por um “corpo esbelto”, criando mais conflitos do que aqueles já vivenciados pela própria adolescência, como as mudanças biopsicossociais, que ocorrem no início da definição da identidade, bem como o estabelecimento de sistemas de valores pessoais, contribuindo para que os adolescentes se tornem especialmente vulneráveis aos enormes agravos enfrentados pela maioria das sociedades.

Em relação à adolescência, é importante destacar que as necessidades nutricionais estão condicionadas por um rápido crescimento corporal e desenvolvimento do sistema muscular e ósseo e também pela necessidade de reservas para a puberdade. Assim, a nutrição adequada é uma das necessidades básicas de saúde para que tal grupo etário, possa expressar adequadamente o seu potencial genético, em termos de crescimento e desenvolvimento.

           A preocupação e o desconforto, na forma de vivenciar o peso ou o corpo, são temas de interesse central e as imposições sociais acabam incentivando os adolescentes a experimentar métodos de controle de peso, como dietas restritivas, jejuns, uso de laxantes e diuréticos, e exercícios físicos, como uma tentativa de manter o peso corporal.

Independentemente do estado nutricional, as meninas desejam ser mais magras, em contrapartida jovens com sobrepeso e obesidade almejam emagrecer e aqueles com baixo peso desejam aumentar o tamanho corporal. Alguns autores constataram que as influências socioculturais afetam diferentemente meninos e meninas. Os primeiros são estimulados a praticarem atividades esportivas enquanto meninas a praticarem atividades que impliquem perda de peso. Isso significa que os meninos estão sendo protegidos, uma vez que são estimulados a praticar atividades que desenvolvem outras competências, como as afetivo-cognitivas e sociais, o mesmo não ocorrendo com as meninas, que são estimuladas a praticar atividades individuais, com enfoque no caráter estético.

Atualmente, observa-se uma série de distúrbios nutricionais em adolescentes, caracterizados tanto pelo excesso quanto pelo déficit nutricional.

Entre as consequências da obesidade em adolescentes, encontram-se maiores probabilidades de ser um adulto obeso e de desenvolver doenças como hipertensão arterial, dislipidemias, diabetes tipo 2, além de problemas respiratórios, musculares, baixa autoestima, dificuldade de relacionamento entre os pares e piora da qualidade de vida.

Na cultura ocidental, ser magra, para mulher, simboliza competência, sucesso, controle e atrativos sexuais, enquanto excesso de peso e obesidade representa preguiça, indulgência pessoal e falta de autocontrole e força de vontade. Sendo assim, o excesso de peso oferece uma conotação pejorativa às adolescentes, sendo, possivelmente, uns dos fatores explicativos para a insatisfação feminina.

Essa insatisfação com o tamanho corporal gera, especialmente nas meninas, o desejo de ser mais magra. Alguns autores, estudando esse aspecto perceptivo entre adolescentes de catorze a dezoito anos de idade, constataram que esse desejo se mostra quatro vezes superior nas meninas quando comparado com o desejo entre os meninos.

As recomendações para ajudar o adolescente com suas desordens alimentares são:

Excesso de Ingestão Alimentar

● Comentar favoravelmente sobre o poder de modificações alimentares, com respeito e delicadeza;

● Congratular o adolescente quando este evitar situações que estimulam o comer em excesso;

● Evitar ter alimentos muito calóricos e gordurosos ao alcance do adolescente;

● Encorajar o adolescente a planejar e escolher métodos de preparo de alimentos saudáveis, com pouca gordura;

● Compreender se o adolescente falhar em seu plano alimentar;

● Não contar a outras pessoas as falhas do adolescente para que este não se sinta inibido;

● Estimular os alimentos especialmente preparados para ele, sem dizer que são sinal de afeto para não incentivá-lo a consumir mais do que o necessário.



Anorexia Nervosa

● Aumentar o consumo energético, iniciando com 800 a 1.200kcal/dia;

● Prescrever dietas bem equilibradas com algumas variações de acordo com as preferências da pessoa afetada;

● Estimular o consumo de alimentos que contenham fibra;

● Evitar as sensações de plenitude gástrica com lanches frequentes;

● Utilizar suplementos líquidos sempre que a pessoa não desejar consumir sólidos;

● Assegurar aconselhamento nutricional interativo como um processo promissor;

Bulimia Nervosa

● Evitar alimentos que possam ser consumidos sem o uso de utensílios;

● Incluir vegetais e frutas na alimentação a fim de prolongar o tempo comendo;

● Escolher alimentos ricos em grãos e fibras (pães, cereais) para maximizar o volume gástrico;

● Usar alimentos que naturalmente estão divididos em porções: iogurtes, batatas, queijos, aves (partes);

● Incluir alimentos com carboidratos complexos (para a saciedade) e alguma gordura (para reduzir o tempo de esvaziamento gástrico);

● Planejar as refeições incentivando o hábito de anotar antes de consumir.

A cultura e os avanços tecnológicos ocidentais apresentam-se particularmente responsáveis em promover esse padrão de beleza magro e de reforçar crenças culturais sobre a importância do controle de peso.

Outro fator a ser observado se refere à pressão da mídia. Constatou-se o efeito negativo das campanhas publicitárias em revistas de moda em adolescentes de dez a catorze anos de idade, provocado pela comparação dos próprios atrativos físicos com os dos modelos dos anúncios. Dessa forma, as meninas apresentaram-se mais vulneráveis ao desenvolvimento e reforço da insatisfação corporal.

Considerando as consequências adversas decorrentes dos transtornos alimentares, bem como da obesidade, os profissionais da saúde devem se comprometer não só com os aspectos curativos voltados ao tratamento, mas também, e principalmente, com os aspectos preventivos, evitando, assim, que futuramente outros jovens possam desenvolver patologias semelhantes, tendo como consequência o bloqueio do seu desenvolvimento global.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizada única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas:

Angelis, RC. Importância da Educação Nutricional ao Longo da Vida. In: Angelis, RC. A importância dos alimentos vegetais na proteção da saúde: fisiologia da nutrição protetora e preventiva de enfermidade degenerativas. 2. ed. São Paulo: Editora Atheneu, 2005.

Barbosa, KBF; Franceschini, SCC; Priore, SE. Instrumentos de avaliação do consumo alimentar na adolescência. Rev Soc Bras Alim Nutr 2006; v.31, n.2, p.135-150.

Branco, LM; Hilário, MOE; Cintra, LP. Relação entre o consumo de alimentos dietéticos e light com a condição nutricional, a percepção e a satisfação da imagem corporal em adolescentes. Rev Soc Bras Alim Nutr 2006; v.31, n.3, p.27-36.

Conti, MA; Frutuoso, MFP; Gambardella, AMD. Excesso de peso e insatisfação corporal em adolescentes. Rev Nutr 2005; v.18, n.4, p.491-497.

Pelegrini, A; Silva, DAS; Silva, AF; Petroski, EL. Insatisfação corporal associada a indicadores antropométricos em adolescentes de uma cidade com índice de desenvolvimento humano médio a baixo. Rev Bras Ciênc Esporte 2011; v.33, n.3, p. 687-698.

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