quarta-feira, 1 de julho de 2015

Diabetes Mellitus



    Uma epidemia de diabetes mellitus (DM) está em curso. Em 1985, estimava-se haver 30 milhões de adultos com DM no mundo; esse número cresceu para 135 milhões em 1995, atingindo 173 milhões em 2002, com projeção de chegar a 300 milhões em 2030.

    O número de indivíduos diabéticos está aumentando em virtude do crescimento e do envelhecimento populacional, da maior urbanização, da crescente prevalência de obesidade e sedentarismo, bem como da maior sobrevida de pacientes com DM.

O Diabetes Mellitus Tipo 1 (DM1), forma presente em 5% a 10% dos casos, é o resultado da destruição de células betapancreáticas com consequente deficiência de insulina. Na maioria dos casos, essa destruição de células beta é mediada por autoimunidade, porém existem casos em que não há evidências de processo autoimune, sendo, portanto, referidos como forma idiopática de DM1.

O Diabetes Mellitus Tipo 2 (DM2) é a forma presente em 90% a 95% dos casos e caracteriza-se por defeitos na ação e secreção da insulina. Em geral, ambos os defeitos estão presentes quando a hiperglicemia se manifesta, porém pode haver predomínio de um deles. A maioria dos pacientes com essa forma de DM apresenta sobrepeso ou obesidade, e cetoacidose raramente se desenvolve de modo espontâneo, ocorrendo apenas quando se associa a outras condições como infecções. O DM2 pode ocorrer em qualquer idade, mas é geralmente diagnosticado após os 40 anos. Os pacientes não dependem de insulina exógena para sobreviver, porém podem necessitar de tratamento com insulina para obter controle metabólico adequado.

Quadro 1. Valores de glicose plasmática (em mg/dl) para diagnóstico de diabetes mellitus e seus estágios pré-clínicos.

Categoria
Jejum*
2h após 75g de glicose
Casual**
Glicemia normal
< 100
< 140

Tolerância à glicose diminuída
> 100 a < 126
≥ 140 a < 200

Diabetes mellitus
≥ 126
≥ 200
≥ 200 (com sintomas clássicos)***
* O jejum é definido como a falta de ingestão calórica por no mínimo 8 horas;
** Glicemia plasmática casual é aquela realizada a qualquer hora do dia, sem se observar o intervalo desde a última refeição;
*** Os sintomas clássicos de DM incluem poliúria, polidipsia e perda não explicada de peso.
Fonte: Diretrizes da SBD, 2013-1014.

            A terapia nutricional em diabetes tem como alvo o bom estado nutricional, saúde fisiológica e qualidade de vida do indivíduo, bem como prevenir e tratar complicações a curto e a longo prazo e comorbidades associadas.

           Embora o aparecimento do diabetes tipo 1 não seja evitável, o diabetes tipo 2 pode ser retardado ou prevenido, por meio de modificações de estilo de vida, que incluem dieta e atividade física.

            O alerta mundial para a prevenção do DM2 é reforçado pelo substancial aumento na prevalência dessa doença nas últimas décadas. Apesar de a suscetibilidade genética parecer desempenhar um papel importante na ocorrência do DM2, a atual epidemia provavelmente reflete mudanças no estilo de vida, caracterizadas pelo aumento da ingestão energética e redução da atividade física que juntamente com sobrepeso e obesidade parecem exercer papel preponderante no aparecimento do diabetes.

         Programas estruturados que enfatizam mudanças no estilo de vida, incluindo educação nutricional, restrição das concentrações de gorduras e energéticas, aliada a prática de exercício regular e monitoramento pelos profissionais de saúde, podem conduzir à perda de peso a longo prazo em torno de 5% a 7% do peso corporal.

            A conduta nutricional deverá ter como foco o indivíduo, considerando todas as fases da vida, diagnóstico nutricional, hábitos alimentares, socioculturais, não diferindo de parâmetros estabelecidos para a população em geral, considerando também o perfil metabólico e uso de fármacos.

            A intervenção nutricional direcionada às pessoas com DM1 aponta a importância de integrar insulina, dieta e atividade física, reforçando o ajuste da terapia insulínica ao plano alimentar individualizado como a chave para o adequado controle metabólico.

Quadro 2. Composição nutricional do plano alimentar indicado para portadores de diabetes mellitus.

Macronutrientes
Ingestão Recomendada/Dia
Carboidratos
Carboidratos totais: 45% - 60%
Não inferiores a 130g/dia
Sacarose
Até 10%
Frutose
Não se recomenda adição nos alimentos
Fibra alimentar
Mínimo de 20g/dia ou 14g/1000kcal
Gordura total
Até 30% do VET
Ácidos graxos saturados
< 7% do VET
Ácidos graxos trans
≤ 2g
Ácidos graxos poli-insaturados
Até 10% do VET
Ácidos graxos monoinsaturados
Completar de forma individualizada
Colesterol
< 200mg/dia
Proteína
15% - 20% do VET
Micronutrientes
Ingestão Recomendada/Dia
Vitaminas e minerais
Segue as recomendações da população não diabética
Sódio
Até 2.400mg
VET: Valor Energético Total.
Fonte: Diretrizes da SBD, 2013-1014.

            Muitas vezes o padrão e o comportamento alimentar do indivíduo portador de diabetes mellitus estão seriamente comprometidos, sendo caracterizados pela prática de dietas restritivas e aleatórias, uso indiscriminado de produtos dietéticos e a adoção de métodos inadequados para controle da glicemia, redução e manutenção do peso.
           
            Os comitês de estudos sobre o diabetes têm orientado que as pessoas com diabetes sigam a mesma alimentação saudável recomendada à população em geral. Muitas vezes pensamos que teremos de fazer uma dieta rigorosa, mas na verdade o que se espera é um planejamento e organização dos hábitos alimentares. Isto quer dizer que teremos que ter uma maior atenção quanto às escolhas dos alimentos e a quantidade consumida. 


1) Distribua os alimentos em 5 a 6 refeições ao dia. Não deixe de fazer o café da manhã! Comece o café da manhã com uma porção de carboidrato, rico em fibras (pães, biscoitos e cereais integrais); uma porção de proteína (queijos magros, leite desnatado, iogurtes reduzidos em gordura) e uma fruta. Se não puder fazê-lo em casa, leve um lanche reforçado para a escola ou trabalho.

2) As frutas podem e devem fazer parte da alimentação do paciente diabético, pois são ricas em fibras, vitaminas e minerais. Nos lanches, comece sempre pelas frutas (evite sucos), mas não exagere na quantidade. Nenhum tipo de fruta é proibido!

3) No almoço e jantar, continue a comer o tradicional arroz com feijão. Para o almoço e jantar complete metade do prato com vegetais crus e cozidos. Na metade restante preencha ¼ com alimento rico em carboidrato integral (arroz, macarrão, panqueca, batata, mandioca) e o outro ¼ com proteína animal (carne vermelha magra, frango sem pele, peixe, ovo, preparados sem adição de gordura) e complemente com proteína vegetal (feijão, lentilha, ervilha, soja). Na sobremesa escolha uma fruta. Para os lanches intermediários como lanche da manhã, lanche da tarde e ceia escolha apenas um dos grupos de alimentos. Carboidratos: Eles não devem ser totalmente abolidos da alimentação do indivíduo diabético, mas a quantidade e o tipo de carboidrato a serem ingeridos devem ser controlados. O ideal é sempre preferir fontes de carboidratos que sejam ricos em fibras, como os cereais integrais, tubérculos, vegetais e frutas com casca ou bagaço. As fibras estimulam o funcionamento intestinal, atuam na prevenção de doenças e influenciam na absorção das gorduras e açúcares simples que comemos.

4) A metade do prato deve ser de vegetais coloridos, principalmente os verde-escuros e amarelos. Pode ser na forma de salada crua e/ou vegetais cozidos. Evite molhos gordurosos.

5) Evite frituras e diminua o consumo de gorduras animais: carnes gordas, queijos (exceto os mais magros como, por exemplo, ricota, minas frescal, cottage), embutidos, manteiga, margarina, requeijão, creme de leite.

6) Evite os açúcares e alimentos açucarados. Se precisar utilize adoçante em pequena quantidade. Evite os adoçantes a base de frutose.

7) Só opte por produtos dietéticos se tiver certeza de que o mesmo atende as suas necessidades. Fique atento com produtos diet e light, pois devem ser consumidos com moderação. Nem sempre são os mais adequados, pois podem vir acrescidos de gordura ou outro nutriente. Leia sempre o rótulo dos alimentos antes de comprar. Adoçantes também precisam ser consumidos com cuidado. 10 gotas por copo é o limite máximo permitido, de acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, mas antes é preciso levar em conta a orientação de um nutricionista.

8) Diminua o sal. Grande parte das pessoas com diabetes também apresentam pressão arterial elevada.

9) Evite bebida alcoólica. Bebidas alcoólicas não devem ultrapassar a quantidade de uma dose para mulher e duas doses para homens, tanto para destilados quanto para bebidas fermentadas. Evite bebidas que contenham leite condensado ou muito açucaradas. Lembre-se: não consuma bebida alcoólica com estômago vazio e se estiver desidratado.

10) Tome água várias vezes ao longo do dia.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizada única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas:

Diabetes. Disponível em: www.meupratosaudável.com.br Acessado em: 25/06/2015.

Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes: 2013-2014. Sociedade Brasileira de Diabetes.

Manual de Nutrição. Sociedade Brasileira de Diabetes.

Nascimento, MAB. Descobri que tenho diabetes.... como deverá ficar minha alimentação? Disponível em: www.diabetes.org.br Acessado em: 25/06/2015.
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