domingo, 13 de setembro de 2015

Obesidade na Infância



A obesidade infantil vem aumentando de forma significativa ao longo dos anos, tornando-se uma espécie de epidemia em vários países. Tal fato é motivo de preocupação, tendo em vista haver um consenso por parte de pesquisadores e profissionais da área de saúde de que a obesidade é um importante determinante para o surgimento de várias complicações e agravos à saúde ainda na infância e também na vida adulta.

A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), realizada pelo Ministério da Saúde em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que 60,8% das crianças com menos de dois anos de idade consomem biscoitos, bolachas e bolos, e que 32,3% tomam refrigerantes ou suco artificial. O reflexo da má alimentação é visto ainda na infância. Segundo dados divulgados em março pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, um terço das crianças (33,5%) entre 5 e 9 anos de idade estão com sobrepeso. Isso se deve, principalmente, ao estilo de vida e aos hábitos alimentares. As crianças estão consumindo, cada vez mais, alimentos altamente calóricos e pobres em vitaminas e minerais e estão mais sedentárias, devido ao aumento de tempo na TV, computadores e videogames, e consequentemente, reduzem as atividades físicas.

Existem inúmeras causas associadas à obesidade em crianças e adolescentes, dentre elas, se destaca a alimentação inadequada desde o primeiro ano de vida. O tempo de aleitamento materno exclusivo (sem água, chá e/ou outro leite) está abaixo do recomendado no Brasil. Isso faz com que a alimentação complementar ocorra de forma precoce e incorreta, com a introdução de farinhas, açúcares e leite de vaca integral, antes do tempo. Outras causas seriam: hábitos alimentares inadequados da família (ausência do café da manhã, baixo consumo de frutas, legumes, entre outros), servindo de mau exemplo às crianças; a disseminação da alimentação fast-food, rica em gorduras e calorias, levando à substituição de refeições importantes por lanches pouco nutritivos e o aumento do sedentarismo.

O principal dano da obesidade é o desenvolvimento precoce de doenças crônicas, como as doenças cardiovasculares, diabetes mellitus tipo 2, hipertensão arterial, dislipidemia e alterações hepáticas, doenças, normalmente observadas em adultos, a partir dos 50-60 anos. Além disso, o dano psicológico causado pelo excesso de peso pode trazer transtornos graves para crianças e adolescentes, como depressão, vergonha da autoimagem corporal, baixo nível de autoestima, não aceitação social e consequente isolamento social.

Cuidar da alimentação das crianças é fundamental. Os primeiros mil dias de vida do bebê são os mais importantes. Portanto, desde a gestação à fase inicial, a alimentação adequada determinará a saúde, o crescimento e o desenvolvimento dessa criança. A alimentação materna rica em gorduras e açúcar ou a privação alimentar na gravidez pode estar relacionada com o desenvolvimento da obesidade da criança que ainda vai nascer. A amamentação exclusiva até o sexto mês de vida é essencial e um fator benéfico na prevenção da obesidade. A introdução de fórmulas infantis nesta fase só é indicada em situações específicas e oferecer corretamente uma alimentação complementar a partir dos seis meses é decisivo para que bons hábitos sejam incorporados. A alimentação adequada inclui uma boa distribuição entre os grupos alimentares compostos por cereais e hortaliças; legumes e verduras; frutas; leite e derivados; carnes e ovos; leguminosas ou feijões. Além disso, minimizar o consumo de açúcares, doces e gorduras “ruins”, como as saturadas. Os pais devem oferecer alimentos saudáveis, ensinar os bons hábitos alimentares, estimular a manutenção a longo prazo desses hábitos, mas também inseri-los nas próprias vidas, para servirem de exemplo. Isto vale não só para os pais, mas para qualquer pessoa que seja responsável pela criação da criança. Cabe ao responsável também observar problemas existentes e sinalizar para os profissionais, como o pediatra e o nutricionista, para que eles sejam corrigidos rapidamente.



Sugestão de um programa alimentar baseado na reeducação alimentar para crianças obesas em idade escolar

Café da manhã: 1 pote de frutas picadas (vitaminas antioxidantes); 200ml de leite semidesnatado (fonte de cálcio); 1 xícara de cereais: aveia ou granola (fibras e vitaminas do complexo B); 1 colher de chá de mel ou açúcar mascavo (energia).

Lanche da manhã (escola): barra de cereal; suco de frutas ou fruta.

Almoço: salada mista, conforme preferência (fibras e vitamina antioxidante); legumes cozidos amarelo ou verde (betacaroteno e magnésio); 4 colheres de sopa de arroz integral ou parboilizado, que pode ser substituído por batata ou massa (fonte de energia); 1 concha pequena de feijão ou lentilha (fonte de fibras e ferro); 80g de carne magra (fonte de proteína e ferro); sobremesa: fruta cítrica (vitamina C).

Lanche da tarde: 1 unidade: fruta ou salada de fruta; 200ml de leite semidesnatado com cacau (cálcio e ferro); 1 torrada com queijo (proteína e cálcio).

Jantar: 1 pão sírio (energia); 2 fatias de queijo minas ou ricota (cálcio); 2 colheres de sopa de atum sem óleo (ômega-3); 1 colher de chá de azeite de oliva (gordura saudável); 1 colher de sopa de requeijão light (proteína); alface e tomate (magnésio e licopeno); 200ml de suco de uva (bioflavonoides).

Ceia: iogurte de frutas (lactobacilos).

            Proporcione à criança opções de lazer, evitando que a mesma fique em frente a televisão, computador ou videogame. Várias atividades podem ser incluídas no dia-a-dia da criança: danças, jogos, brincadeiras ao ar livre, natação, pular corda, esconde-esconde, caminhadas, bicicleta, skate.... O ideal é a família participar, em conjunto, de atividades diárias que possibilitem à criança ser mais ativa.





As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizada única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas:

Costa, MAP; Souza, MA; Oliveira, VM. Obesidade infantil e bullying: a ótica dos professores. Rev Educ. Pesqui. 2012; vol.38, n.3, p. 653-665.

Planejamento Alimentar Para Crianças. Ministério da Saúde. Disponível em: www.blog.saude.gov.br

Um terço dos bebês brasileiros consomem refrigerantes ou sucos artificiais. Ministério da Saúde. Disponível em: www.blog.saude.gov.br

Stürmer, JS. Reeducação alimentar na família: da gestação à adolescência. Petrópolis, RJ: Vozes, 2004.



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