O
ferro é um nutriente essencial para a vida e atua principalmente na formação de
células vermelhas do sangue, no transporte do oxigênio no organismo e também
está envolvido na função imunológica e no desenvolvimento cognitivo das
crianças. Você sabia que a anemia por deficiência de ferro no organismo é a
carência nutricional de maior magnitude no mundo? Este é um problema que atinge
países desenvolvidos e em desenvolvimento. Os principais afetados pela
deficiência de ferro são crianças, mulheres em idade fértil e gestantes.
O
recém-nascido a termo e de peso adequado tem reservas de ferro apropriadas, e o
tipo de alimentação pós-natal é fundamental para a preservação dessa condição.
É indiscutível que o leite materno, apesar da sua baixa quantidade de ferro,
previne a anemia nos seis primeiros meses de vida da criança, pois a
biodisponibilidade permite a absorção de 50% do ferro presente, enquanto a
absorção do ferro do leite de vaca, que tem quantidades semelhantes, é de
apenas 10%.
A
introdução dos alimentos complementares vai influenciar o estado nutricional de
ferro do lactente, já que a adição de qualquer alimento à prática do
aleitamento materno exclusivo diminui a absorção do ferro do leite materno.
Excluindo os prematuros e as crianças de baixo peso ao nascimento, o
aleitamento materno exclusivo assegura ao lactente as reservas orgânicas
adequadas de ferro nos primeiros seis meses de vida. A partir desse período, é
a qualidade da alimentação complementar que passa a ser responsável por esse
processo.
A
anemia pode ser definida como um estado em que a concentração de hemoglobina no
sangue está anormalmente baixa, em consequência da carência de um ou mais
nutrientes essenciais, qualquer que seja a origem dessa carência. Contudo,
apesar da ausência de vários nutrientes contribuir para a ocorrência de anemias
carenciais, como folatos, proteínas, vitamina B12 e cobre, o ferro é,
indiscutivelmente, o mais importante de todos.
Inicialmente, há diminuição de uma proteína de
reserva de ferro, a ferritina sanguínea. Consequentemente, ocorre uma queda dos
níveis de ferro sanguíneo, que provoca a diminuição da concentração de
hemoglobina. A partir deste momento, pode surgir a anemia ferropriva.
Os
principais sintomas desta doença são: fadiga generalizada; falta de apetite;
palidez da pele e mucosas, principalmente na parte interna do olho e gengivas;
menor disposição; dificuldade de aprendizagem e apatia. Mas, o diagnóstico deve
ser confirmado por meio de um exame laboratorial, onde considera-se anemia
quando os valores de hemoglobina sanguínea estiverem abaixo de 11 g/dl para
gestantes e crianças de 6 meses a 6 anos, 12 g/dl para mulheres e crianças de 6
a 14 anos e 13 g/dl para homens. Outros índices também podem ajudar no
diagnóstico, como o volume corpuscular médio (VCM), que indica o tamanho das
hemácias; a hemoglobina corpuscular média (HCM), que corresponde ao peso da
hemoglobina na hemácia; a concentração de hemoglobina corpuscular média (CHCM),
que é a concentração de hemoglobina dentro da hemácia; e a ferritina, parâmetro
que avalia a quantidade de reserva de ferro corporal. Na anemia, estes índices
encontram-se reduzidos.
Uma alimentação variada e balanceada é necessária
para a ingestão de todos os nutrientes para evitar a anemia ferropriva. É importante
ressaltar que a carência de ferro pode ser um problema multicausal, sua
ocorrência não se reduz aos processos gerados por uma carência isolada do ferro
na alimentação, já que na deficiência de consumo de alimentos e absorção de
nutrientes e/ou espoliações destes, possivelmente estão sendo promovidas
reduções de estoques de outros vários nutrientes. É necessário entender a
interligação entre eles, e que vários nutrientes estão envolvidos na carência
do ferro.
Seguem alguns nutrientes que possuem participação
no desenvolvimento da anemia:
● Ferro: sua deficiência promoverá formação insuficiente de
hemoglobina e dos glóbulos vermelhos. Alimentos fonte: carne vermelha, fígado,
carne das aves, peixes.
● Folato: participa na síntese do DNA. Danos em sua síntese podem
promover eritropoiese inadequada. Alimentos fonte: folhas verde-escuras, levedo
de cerveja, fígado, ovos, gérmen de trigo.
● Vitamina B12: a deficiência desta vitamina causa dano no
metabolismo do folato, levando à eritropoiese inadequada. Alimentos fonte:
vísceras, carnes, ovos, leite e derivados.
● Vitamina C: a deficiência desta vitamina causa diminuição da
absorção e dano na mobilização do ferro armazenado, também causa dano no
metabolismo do folato, dano oxidativo ao eritrócito, hemólise e hemorragia.
Alimentos fonte: frutas e verduras em geral.
● Vitamina A: a deficiência desta vitamina causa dano na
mobilização do ferro armazenado e na eritropoiese, maior susceptibilidade a
infecções. Alimentos fonte: alimentos alaranjados, verde- escuros e vísceras.
A absorção do ferro dos alimentos depende de vários
fatores, como o estado nutricional de ferro do indivíduo (quando há
deficiência, a absorção é maior); e do tipo de ferro: ferro heme (carnes, peixe,
frango) ou ferro não heme (leite, ovos, vegetais, grãos), os quais correspondem
a absorção de 15 a 20% e de 5 a 10% respectivamente.
A eficiência da absorção de
ferro será determinada pelo alimento que o contém, visto que, em alimentos de
origem animal, o ferro geralmente está na forma “heme”, que é de fácil
absorção, diferente do ferro na forma “não heme”, encontrado em alimentos de
origem vegetal. Neste contexto, as carnes vermelhas, principalmente fígado de
qualquer animal e outras vísceras (miúdos), como rim e coração; carne de aves e
de peixes representam as melhores fontes de ferro. Entre as leguminosas,
podemos citar os feijões, grão-de-bico, ervilha e lentilha. As hortaliças
folhosas verde-escuras geralmente são ricas em ferro, como o agrião, couve,
cheiro verde e taioba, porém, além desse ferro encontrar-se na forma "não
heme", muitas dessas plantas apresentam substâncias antinutricionais, que
podem "arrastar" o ferro, impedindo o de ser absorvido, como o ácido
oxálico e fítico presente no espinafre. Os grãos integrais ou enriquecidos,
nozes e castanhas, melado de cana, rapadura e açúcar mascavo também são fontes
de ferro. No mercado, é possível encontrar alimentos enriquecidos com ferro,
como farinhas de trigo e milho, cereais matinais, entre outros.
Vale ressaltar, que a
vitamina C tem a capacidade de aumentar a absorção de ferro e pode ser
encontrada em abundância em frutas cítricas, como a laranja, tangerina e limão;
acerola e caju. Por isto, deve-se ingeri-la juntamente com alimentos ricos em ferro
ou suplementos. Em contrapartida, o cálcio é um mineral que pode inibir a
absorção de ferro. Por isso, se você está anêmico, evite consumir alimentos
derivados do leite junto com alimentos fontes ou suplementos de ferro.
Na presença da anemia, além de consumir uma dieta
rica em ferro, deve-se evitar alguns nutrientes que podem prejudicar a sua
absorção como:
● Cálcio: consumo de cálcio (300mg) diminuem a absorção de ferro
não heme em 50 a 60%. Evitar consumo excessivo de leite, queijo, iogurte entre
outras fontes de cálcio na mesma refeição rica em ferro.
● Fibras, taninos e fitatos: consumo em maior quantidade pode
diminuir a absorção do cálcio. Evitar consumo excessivo de fibras, café, chá
preto, chá mate na mesma refeição rica em ferro.
As informações contidas neste
blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais
da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos
e etc. e sim, utilizada única e exclusivamente, para seu conhecimento.
Referências
Bibliográficas:
Anemia no Brasil – a
importância da prevenção e controle. Ministério da Saúde. Disponível em: www.blog.saude.gov.br
Acessado em: 21/01/2016.
Martins, BT; Basílio, MC;
Silva, MA. Nutrição aplicada e alimentação saudável. 1. ed. São Paulo: Editora
Senac São Paulo, 2014.
Shima, M. Anemia: como
combatê-la? Hospital Israelita Albert Einstein. Disponível em: www.einstein.br
Acessado em: 21/01/2016.
Vitolo, MR. Nutrição: da
Gestação à Adolescência. 1 ed. Rio de Janeiro: Reichmann & Affonso
Editores, 2003.
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