segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Corantes e Conservantes




Os alimentos sofreram muitas modificações ao passar do tempo devido à correria do dia-a-dia, que criou a necessidade de alimentos práticos, rápidos e que durem mais. Para isso foram empregadas novas tecnologias a fim de suprir essa necessidade como é o caso dos aditivos alimentares (corantes, conservantes, flavorizantes, entre outros) o que tem levantado questionamentos sobre a segurança e impacto na saúde humana.

A segurança da adição alimentar é feita pelo controle da IDA (Ingestão Diária Aceitável) desenvolvida pelo Joint FAO/WHO Expert Committee on Food Additives (JECFA). No Brasil essa regulação se dá pela Agência de Vigilância Sanitária (ANVISA), que define os aditivos alimentares como qualquer substância adicionada intencionalmente nos alimentos e que tem como objetivo modificar as características e aumentar a vida útil dos alimentos.

Pesquisas tem mostrado que os aditivos alimentares provocam reações tóxicas, agudas ou crônicas, desencadeando alergias, alterações neurocomportamentais e, em longo prazo, até câncer. Os corantes alimentares são considerados os aditivos mais genotóxicos existentes, principalmente os pertencentes ao grupo “Azo”, capaz de gerar reações de hipersensibilidade e tem sido foco de muitos estudos sobre mutagênese e carcinogênese por produzir, após ser metabolizado pela microflora intestinal, compostos com alto potencial cancerígeno.

Piasini e colaboradores em 2014 realizaram uma pesquisa para analisar a concentração de tartrazina em alimentos consumidos por crianças e adolescentes e observou uma média significativa em grande parte dos alimentos industrializados comuns nessa faixa etária e também que as quantidades de tartrazina encontrada em sucos em pó e em gelatina em pó que se encontravam acima dos valores preconizados pela legislação.

Há algum tempo pesquisas tem associado o consumo de alguns corantes alimentares (tartrazina, vermelho ponceau 4R, eritrosina, e outros) com o surgimento de hiperatividade em crianças as quais apresentam hipercinesia (excesso de movimentação), irritabilidade, impulsividade, déficit de atenção e consequentemente dificuldade de aprendizagem e excesso de distração.

Sobre os conservantes, os que mais apresentam reações são os nitritos, nitratos e sulfitos, presentes nos embutidos cárneos. O nitrito é bem mais tóxico que o nitrato, porém o nitrato se reduz a nitrito na corrente sanguínea. O nitrito gera nitrosamina, produto carcinogênico que desencadeia neoplasias gastrointestinais, além de poder agir sobre a hemoglobina impedindo a função normal do transporte de oxigênio.

O BHA e BHT são compostos antioxidantes encontrados em produtos ricos em gorduras. Estudos em animais apresentaram que doses elevadas de BHT podem desencadear problemas hepáticos, gastrointestinais e levar ao aparecimento de tumores. O BHA estimula a excreção urinária de vitamina C, retardo do crescimento infantil e elevação da mortalidade perinatal. São também considerados fatores de risco para o transtorno do déficit de atenção e hiperatividade de crianças, danos no DNA de células estomacais, do cólon, bexiga e cérebro causando neoplasias a longo prazo. 




O glutamato monossódico, usado como flavorizante em altas doses pode ser tóxico ao sistema nervoso central ocasionando disfunção sexual, obesidade, diabetes, distúrbios de comportamento (hiperatividade, autismo, déficit de atenção e desenvolvimento) e em longo prazo podem desenvolver distúrbios mais sérios como Alzheimer, Parkinson e Mal de Lou Gehrig.

Podemos perceber que as crianças são as mais afetadas pelos aditivos alimentares, devido aos alimentos voltados para essa faixa etária serem os que mais possuem esses produtos na composição. Como apresentado acima os efeitos em longo prazo podem ser devastadores, por isso é importante estratégias de educação alimentar não só voltada para essa população, mas para a população em geral, alertando dos perigos dessas substâncias e os benefícios que uma alimentação saudável traz.

Veja alguns tipos de corantes artificiais mais utilizados e seus efeitos conhecidos:

TARTRAZINA – Urticária; reação anafilactoide (reação alérgica sem a presença de anticorpos (sistema imune de defesa), o qual é semelhante anafilaxia causada por reação alérgica de origem imunológica (o qual pode causar a morte por asfixia devido ao inchaço na região da glote (ou da garganta);

ERITROSINA – Fotosensibilidade, eritrodermia, descamação, broncoespasmo, elevação dos níveis totais de hormônios tireoideanos.

AMARELO CREPÚSCULO – Urticária, angioedema, congestão nasal, broncoespasmo, reação não imunológica (anafilactoide), vasculite, vômitos, dor abdominal, náuseas, eructações, indigestão, púrpura, eosinofilia, reação cruzada com AAS, paracetamol, benzoato de sódio.

AMARELO QUINOLINA – Dermatite de contato, broncoespasmo, reação não imunológica (anafilactoide).

VERMELHO 40 – Broncoespasmo, reação não imunológica (anafilactoide)

VERMELHO PONCEAU – Broncoespasmo, reação não imunológica (anafilactóide);

AZUL BRILHANTE – Broncoespasmo, reação não imunológica (anafilactoide);

AZUL ÍNDIGO CARMIM – Dermatite de contato, Broncoespasmo, reação não imunológica (anafilactoide).

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizada única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas:

Corantes e Conservantes. Instituto Ana Paula Pujol. Disponível em: www.institutoanapaulapujol.com.br Acessado em: 17/01/2016.

SOUZA, R. M. Corantes naturais alimentícios e seus benefícios à saúde. 2012. TCC (Curso de Graduação em Farmácia). Faculdade de Farmácia, UEZO, Rio de Janeiro.

GUIMARÃES, N.M.C.P. Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção – para além da genética. 2010. 31f. Dissertação (Mestrado Integrado em Medicina), Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar – Universidade do Porto, Porto, 2010;

FREITAS, A. S. Tartrazina: uma revisão das propriedades e análises de quantificação. Acta Tecnológica. v. 7, n. 2, p. 65-72, 2012;

PIASINI, A. et al. Análise da Concentração de Tartrazina em Alimentos Consumidos por Crianças e Adolescentes. Revista Uningá, Lajeado, v.19, n.1, pp.14-18, Jul/Set 2014;

CARVALHO, P.R.R.M. et al. Características e Segurança do Glutamato Monossódico como Aditivo Alimentar: Artigo de Revisão. Visão Acadêmica, Curitiba, v. 12, n. 01, p. 53-60, Jan./Jun. 2011;

ALBUQUERQUE, M.V et al. Educação Alimentar: Uma Proposta de Redução do Consumo de Aditivos Alimentares. Química Nova na Escola. [S.I], v. 34, n. 2, p. 51-57, Maio 2012;

POLÔNIO, M. L. T. Percepção de mães quanto aos riscos à saúde de seus filhos em relação ao consumo de aditivos alimentares: o caso dos pré-escolares do Município de Mesquita. 2010. 129f. Tese (Doutorado em Ciências na área de Saúde Pública e Meio Ambiente). Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, Rio de Janeiro, 2010;

FERREIRA, F. S. ADITIVOS ALIMENTARES E SUAS REAÇÕES ADVERSAS NO CONSUMO INFANTIL. Revista da Universidade Vale do Rio Verde, Três Corações, v. 13, n. 1, p. 397-407, 2015.

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