quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Acompanhamento Nutricional na Cirurgia Bariátrica



     A obesidade é um acúmulo anormal de gordura corporal, podendo acarretar várias implicações à saúde em médio ou longo prazo, sendo considerada, atualmente, a maior desordem nutricional dos países desenvolvidos e em desenvolvimento.

       O manuseio clínico da obesidade é difícil, pois não somente o emagrecimento, mas principalmente a manutenção da perda de peso, não é possível para a maioria dos grandes obesos. Os resultados dos tratamentos farmacológicos e não farmacológicos são avaliados à luz dos novos objetivos do tratamento da obesidade em atingir um peso saudável e não, necessariamente, um peso ideal. Na maioria das vezes, o tratamento clínico da obesidade mórbida, torna-se frustrante, sendo a cirurgia bariátrica, atualmente, considerada a mais bem-sucedida medida terapêutica, neste caso.

           Os tratamentos cirúrgicos da obesidade realizados e disponíveis visam à promoção da redução do volume de ingestão total do paciente (com restrição mecânica, gástrica, provocando sensação de saciedade precoce) e/ou da absorção total ou seletiva do conteúdo alimentar ingerido. Assim, o risco de complicações nutricionais no pós-operatório aumenta se a prescrição dietética não for cuidadosamente acompanhada e o estado nutricional frequentemente monitorado por um nutricionista. Dentre seus principais benefícios, pode-se salientar a perda e manutenção do peso em longo prazo, a melhora das comorbidades associadas e o aumento da qualidade de vida.

Atuais Indicações da Cirurgia Bariátrica

O Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou a Resolução nº 2.131/15, que especifica as comorbidades que poderão ter indicação para a realização da cirurgia bariátrica a pacientes com Índice de Massa Corporal (IMC) maior que 35 kg/m². Depressão, disfunção erétil, hérnias discais, asma grave não controlada, entre outras doenças como diabetes e hipertensão estão relacionadas na norma, que altera o anexo da Resolução CFM nº 1.942, de 2010.

O anexo anterior trazia como indicações para a cirurgia, um IMC acima de 40 kg/m² ou um IMC acima de 35 kg/m², desde que portadores de comorbidades como diabetes tipo 2, apneia do sono, hipertensão arterial, dislipidemia, doença coronariana, osteo-artrites e outras, sem especificações. O novo texto aponta 21 doenças associadas à obesidade que podem levar a uma indicação da cirurgia.

Como era
Como ficou
Pacientes com IMC maior que 35 kg/m² e afetados por comorbidezes que ameacem a vida, tais como diabetes tipo 2, apneia do sono, hipertensão arterial, dislipidemia, doença coronária, osteoartrites e outras
Pacientes com IMC maior que 35 kg/m² e afetados por comorbidezes que ameacem a vida como: diabetes, apneia do sono, hipertensão arterial, dislipidemia, doenças cardiovasculares incluindo doença arterial coronariana, infarto de miorcárdio (IM), angina, insuficiência cardíaca congestiva (ICC), acidente vascular cerebral, hipertensão e fibrilação atrial, cardiomiopatia dilatada, cor pulmonale e síndrome de hipoventilação, asma grave não controlada, osteoartroses, hérnias discais, refluxo gastroesofageano com indicação cirúrgica, colecistopatia calculosa, pancreatites agudas de repetição, esteatose hepática, incontinência urinária de esforço na mulher, infertilidade masculina e feminina, disfunção erétil, síndrome dos ovários policísticos, veias varicosas e doença hemorroidária, hipertensão intracraniana idiopática (pseudotumor cerebri), estigmatização social e depressão.
Maiores de 18 anos. Jovens entre 16 e 18 anos podem ser operados, mas exigem precauções especiais e o risco/benefício deve ser bem analisado.
Adolescentes com 16 anos completos e menores de 18 anos poderão ser operados, mas além das exigências anteriores, um pediatra deve estar presente na equipe multiprofissional e seja observada a consolidação das cartilagens das epífises de crescimento dos punhos. A cirurgia em menores de 18 anos é considerada experimental.
Cirurgias Experimentais: Não havia essa previsão
Qualquer cirurgia que não seja a banda gástrica ajustável, a gastrectomia vertical, derivação gastrojejunal e Y de Roux, a cirurgia de Scopinaro ou de ‘switch duodenal’, são consideradas experimentais e não devem ser indicadas.
Fonte: CFM/ABESO, 2016.

Acompanhamento Nutricional

 A cirurgia bariátrica é hoje considerada o melhor e mais efetivo tratamento para a obesidade, por gerar perda de peso e, principalmente, manutenção do peso perdido em longo prazo.

            O tratamento nutricional deve ser iniciado antes do paciente passar pela cirurgia bariátrica. O tempo de contato entre o paciente e o nutricionista deve ser suficiente para concretizar o trabalho de esclarecimento das evoluções dietéticas pelas quais o paciente irá passar, evitando constrangimentos e complicações posteriores à cirurgia.

        O nutricionista que atua em cirurgia bariátrica deve proporcionar ao paciente uma avaliação nutricional pré-operatória, aplicar uma anamnese completa clínica e alimentar, incluindo aspectos nutricionais comportamentais, qualitativos e quantitativos, promover educação adequada como os cuidados em longo prazo. Ele é o profissional que entende as consequências na absorção e as necessidades dietéticas do paciente bariátrico. Ajudar os pacientes a entender esses pontos e ensiná-los como evitar problemas nutricionais com dieta e suplementos pode evitar complicações na sua jornada pós-cirúrgica.

            A investigação da história alimentar é essencial para a monitoração do padrão alimentar e da ingestão de energia e de nutrientes de risco, sendo parte importante para o alcance do sucesso do tratamento cirúrgico. Na coleta da história alimentar, estão incluídos o número de refeições diárias, as preferências e intolerâncias alimentares, os tamanhos das porções, o uso de suplementos (tipo, quantidades, horários), entre outras informações.

             Exames de sangue são importantes para verificar o real estado nutricional. É neste ponto que muitas vezes profissionais são surpreendidos, pois muitos pacientes apresentam-se subnutridos antes de serem submetidos ao procedimento cirúrgico. Pode haver falta de um ou mais micronutrientes e muitos destes pacientes podem apresentar anemia e deficiência de cálcio. É crucial a reposição desses elementos antes da cirurgia para prevenir complicações que, sim, podem ser previstas e evitadas. É também por meio da avaliação nutricional detalhada no pré-operatório, que são obtidas informações importantes sobre o estilo de vida, hábitos alimentares e estado nutricional do paciente.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas:

Araújo, AM; Silva, THM; Fortes, RC. A importância do acompanhamento nutricional de pacientes candidatos à cirurgia bariátrica. Rev Com. Ciências Saúde 2010; v.21, n.2, p. 139-150.

CFM detalha lista de comorbidades que podem levar a indicação da cirurgia bariátrica. Associação Brasileira para Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica – ABESO. Disponível em: www.abeso.org.br Acessado em: 21/01/2016.

Coppini, LZ. Nutrição e Metabolismo em Cirurgia Metabólica e Bariátrica. 1 ed. Rio de Janeiro: Rubio, 2015.

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