domingo, 2 de abril de 2017

Autismo



Estatísticas recentes apontam que aproximadamente 1 em 68 crianças apresentam sinais e sintomas que levam ao diagnóstico de Transtorno do Espectro do Autismo. Mas, você sabe dizer o que é o autismo? Clinicamente, esta doença é definida por prejuízos na interação social e comunicação. Constitui-se como uma deficiência crônica, incapacitante que compromete o desenvolvimento normal da criança e se manifesta em geral antes dos 3 anos de idade, principalmente em meninos. 

O autismo se manifesta em diferentes graus segundo o comprometimento psiconeurológico, social e linguístico, características estas que prejudicam a interação social, a comunicação (linguagem é atrasada ou não se manifesta) e podem induzir a reações não usuais a sensações como ouvir, ver, tocar, sentir, equilibrar e deglutir. 

A prevalência do autismo apresentou um aumento exorbitante nas últimas duas décadas. De acordo com as pesquisas, esse aumento no diagnóstico pode ser explicado por diversos fatores, como por exemplo, o avanço nos diagnósticos dessa doença.

No entanto, diversos estudos epidemiológicos mostraram que fatores ambientais, como infecções pré-natais e exposição a poluentes do ar também podem ser considerados como importantes fatores de risco. Além disso, pesquisas recentes apontam que mudanças na composição dietética e o estresse oxidativo também apresentam forte influência no desenvolvimento do autismo. Dentre as alterações nutricionais que estão envolvidas nessa doença temos as alterações na ingestão dos ácidos graxos insaturados, ou seja, os ácidos graxos ômega 3, 6 e 9. 



As mudanças nos hábitos alimentares, ocasionadas principalmente devido ao desenvolvimento global, com maior oferta de produtos industrializados, fast foods e mudança no estilo de vida, onde as pessoas se tornaram mais sedentárias e com um ritmo de vida acelerado, acarretaram em um aumento pronunciado no consumo de alimentos ricos em ômega 6, desbalanceando a proporção ômega 6: ômega 3. Atualmente, segundo a Organização Mundial da Saúde esta proporção se encontra na faixa de 20:1, muito distante do ideal, que segundo este mesmo órgão é de 5:1. 

Mas, qual o papel desses ácidos graxos? 

Diversos estudos já confirmam que os ácidos graxos ômega 3 e 6 apresentam como função a formação da estrutura das membranas das células e auxiliam no bom funcionamento do nosso organismo. Além disso, são essenciais para manter as funções cerebrais e a transmissão dos impulsos nervosos, participam da transferência de oxigênio atmosférico para o plasma e divisão celular.

Outra atividade dos ácidos graxos refere-se à sua atividade anti-inflamatória. Diversos estudos já confirmam que uma dieta rica em ácidos graxos ômega 3 e balanceada em ácidos graxos ômega 6 é capaz de reduzir uma resposta inflamatória sistêmica. No entanto, se há o consumo exacerbado de ômega 6, esta resposta fica comprometida e oposta. Por este motivo, é de fundamental importância o consumo balanceado desses ácidos graxos, tentando sempre reduzir o ômega 6 e aumentar o consumo de ômega 3. 



Como dito anteriormente, os ácidos graxos insaturados desempenham um papel importante no neurodesenvolvimento, e por este motivo o consumo destes ácidos graxos pela mãe durante a gravidez é fundamental.

Durante o período gestacional, o último trimestre da gravidez é uma fase crucial, sendo assim o consumo desses ácidos graxos são extremamente necessários para a síntese de componentes que irão formar a membrana para finalizar o desenvolvimento cerebral do feto e a neurogênese, ou seja, a formação de novos neurônios. Além disso, a passagem destes ácidos graxos através da barreira sanguínea do cérebro do feto depende da quantidade de ácido graxo consumido pela mãe. 

Por todas estas razões a relação entres os ácidos graxos tem uma influência muito significativa no desenvolvimento do autismo. Outro fato muito interessante, é que a diferença de sexo também é um fator que predispõe a doença. Isso pode ser explicado, pois os homens não conseguem converter o ácido graxo ômega 3 em outros tipos de ácidos graxos fundamentais para o desenvolvimento cerebral, como por exemplo, o ácido docosa-hexaenoico (DHA).Já as mulheres conseguem fazer essa conversão em uma taxa de 9%, o que pode explicar o fato da taxa de incidência do autismo ser de 3-4 vezes maior em homens do que em mulheres. 

Em apoio à todas essas informações, vários estudos em humanos mostraram que crianças autistas têm déficits nos níveis de ácidos graxos. Além disso, também foi possível mostrar que o consumo de ácidos graxos ômega 3 por crianças autistas pode melhorar significativamente a concentração, contato visual, o desenvolvimento da linguagem e habilidades motoras. Os estudos ressaltam ainda que o terceiro trimestre da gravidez e os primeiros 6 meses de vida são o período mais importante para a absorção o ômega 3 pelo cérebro. 

Sendo assim, diante de todas as comprovações dos benefícios do ômega 3, vale a pena incluí-lo em sua dieta. E se você está planejando engravidar ou já está grávida, o ômega 3 torna-se ainda mais importante tanto para a sua saúde, mas como também para a saúde do seu filho.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas:

Bachiega, P. Conheça mais sobre o Autismo. Grupo de Estudos em Alimentos Funcionais – GEAF, ESALQ/USP. Disponível em: www.grupoalimentosfuncionais.blogspot.com.br



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