segunda-feira, 18 de março de 2019

Alimentação e Saúde Íntima da Mulher


A candidíase vaginal é um dos problemas mais comuns em mulheres e as queixas mais frequentes nos consultórios de ginecologia. No Brasil, estima-se que 5 em cada 100 mulheres sadias desenvolvam a doença. O que a maioria de nós, mulheres, não sabe é que existe uma relação entre alimentação e saúde intima. Para saber como isso pode acontecer, é preciso que você primeiro entenda o que é a candidíase e o que a faz aparecer para incomodar os seus dias.

A candidíase ou candidose é uma infecção provocada por um fungo conhecido como Candida. O nosso corpo é o habitat de inúmeros microrganismos e desta forma, espécies de Candida fazem parte da microbiota normal dos indivíduos sadios.  No entanto, a quebra no balanço normal da microbiota ou o comprometimento do nosso sistema imune provoca manifestações agressivas nas espécies do gênero Candida, tornando-as patogênicas. A partir daí tem início os principais sintomas da candidíase que são o corrimento, o ardor e a coceira. 

E o pior é que você pode promover o crescimento das espécies do gênero Candida com simples hábitos alimentares, principalmente quando você consome determinados alimentos que acabam alimentando estes microrganismos.  Isto também pode ocorrer quando se faz uso repetido ou prolongado de antibióticos, que acabam modificando a nossa microbiota normal.

Ao falarmos destes alimentos o inimigo número 1 é o açúcar. O açúcar nutre a Candida albicans e modifica o pH intestinal  para alcalino. A modificação do pH favorece a proliferação dos fungos e a diminui a proliferação das bactérias benéficas que preferem meio ácido. Outro fator importante é que a Candida albicans é capaz de liberar uma toxina que afeta determinados neurotransmissores aumentando sua vontade de comer doces, e consequentemente, promover o crescimento do fungo em questão. 



Para eliminar a Candida albicans é ideal que hábitos alimentares adequados sejam seguidos por cerca de três meses. Mas não podemos esquecer que no quadro agudo é indispensável o uso de medicamentos e, em seguida, deve-se adotar a dieta, para atacar o mal pela raiz.

Durante a crise, é imprescindível cortar alguns itens como os doces e as massas. Os carboidratos simples, como biscoito, arroz e macarrão e pão branco, viram açúcar rapidamente no organismo e consequentemente constituem um banquete para a Candida albicans. Se você não consegue ficar sem estes alimentos, uma opção é a substituição por produtos integrais.

Leite e seus derivados também devem ficar afastados da sua alimentação por conterem lactose, um tipo de açúcar.

O refrigerante e os sucos de fruta industrializados apresentam um elevado teor de açúcar ou adoçantes artificiais. Estas substâncias servem de alimento para a Candida albicans e devem ser eliminadas do seu cardápio.

Outro hábito a ser adotado é retirar do cardápio todos os alimentos que contêm fungos enquanto você estiver com candidíase. Você deve estar perguntando quais são os alimentos que contém fungos, e por isso dou alguns exemplos a seguir. O vinho e a cerveja são exemplos de bebidas fermentadas pela ação dos fungos. Cogumelos são tipos de fungos, o vinagre é um produto fermentado e os produtos que o incluem como azeitonas e picles também devem ser evitados. Além disso, as massas crescidas com fermento biológico como pão, pizza e torta devem desaparecer da sua mesa durante alguns dias.

As frutas secas também possuem fungos e por isso devem ser substituídas pelas frescas durante a crise. Muitas vezes, o fungo que você ingere nestes alimentos não lhe faz mal, mas ele pode confundir o sistema imunológico dificultando sua atuação contra a Candida albicans.

Consumir bebidas durante o almoço ou jantar também não é uma boa para quem está com este problema. As bebidas podem atrapalhar o seu processo digestivo e tirar o equilíbrio da flora intestinal. Isto porque a acidez no estômago durante a digestão garante a vida das bactérias amigas e o líquido ingerido com as refeições, dilui a acidez, atrapalhando a digestão e a defesa no intestino.

Agora vamos falar dos amigos da nossa saúde intima. Devemos incluir os probióticos na nossa dieta se quisermos benefícios para a nossa saúde intima. Os probióticos são encontrados no iogurte, nos leites fermentados ou até mesmo na forma de suplementos (cápsulas ou sachês). Nada mais são do que bactérias capazes de melhorar nossa flora e assim o nosso sistema imune.

Embora existam no mercado inúmeros produtos enriquecidos com esses elementos, nesta fase do tratamento recomendam-se os probióticos na forma de suplementos (cápsulas ou saches). Os iogurtes fontes de probióticos contem em sua formulação açúcar e lactose, substâncias que alimentam os fungos. E se utilizados juntamente aos prebióticos tem melhor ação. O Yacon é uma excelente fonte de prebióticos que são carboidratos não digeríveis que também melhoram nossa flora.

Os vegetais verdes escuros também são uma boa opção para quem está com este problema. Estes alimentos apresentam os compostos chamados fibras, que também estão disponíveis nos produtos integrais. As fibras destroem os fungos por auxiliarem na fermentação das boas bactérias e manter o pH do intestino adequado.

Para combater o problema, além de modificar o seu prato, você deve evitar as calcinhas de tecido sintético, calça jeans apertada e biquíni molhado o dia inteiro.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referência Bibliográfica:

Morzelle, MC. Alimentação e saúde íntima da mulher. Grupo de Estudos em Alimentos Funcionais – GEAF, ESALQ/USP. Disponível em: www.alimentosfuncionais.blogspot.com.br Acessado em: 17/03/2019.


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