quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Câncer Colorretal



  O câncer colorretal, uma das neoplasias malignas mais frequentes no ocidente, é considerado a quarta causa mais comum de câncer no mundo e a terceira causa de incidência e mortalidade em ambos os sexos nos Estados Unidos. No Brasil, ele representa a quinta neoplasia mais diagnosticada e a quarta causa de óbitos.

   Mais de 90% dos cânceres de cólon e reto ocorrem em indivíduos com idade superior a 50 anos, e 75% atingem indivíduos sem outros fatores de risco além da idade.

Pessoas com mais de 50 anos com anemia de origem indeterminada e que apresentem suspeita de perda crônica de sangue no exame de sangue devem fazer endoscopia gastrintestinal superior e inferior. Mudança no hábito intestinal (diarréia ou prisão de ventre), desconforto abdominal com gases ou cólicas, sangramento nas fezes, sangramento anal e sensação de que o intestino não se esvaziou após a evacuação são sinais de alerta.

Também pode ocorrer perda de peso sem razão aparente, cansaço, fezes pastosas de cor escura, náuseas, vômitos e sensação dolorida na região anal, com esforço ineficaz para evacuar.

Esses tumores podem ser detectados precocemente através de dois exames: pesquisa de sangue oculto nas fezes e colonoscopia. Pessoas com mais de 50 anos devem se submeter anualmente à pesquisa de sangue oculto nas fezes. Caso o resultado seja positivo, é recomendada a colonoscopia (exame de imagem que vê o intestino por dentro).

      O diagnóstico requer biópsia (exame de fragmento de tecido retirado da lesão suspeita). A retirada do fragmento é feita por meio de aparelho introduzido pelo reto (endoscópio).

      O desenvolvimento de várias formas de câncer resulta da interação entre fatores endógenos e ambientais, destacando-se a dieta que, quando inadequada, representa cerca de 35% dos diversos tipos de câncer. Outros fatores incluem o etilismo, o tabagismo, a obesidade, a inatividade física e a exposição a determinados agentes viróticos, bacterianos e parasitários, além do contato frequente com algumas substâncias carcinogênicas.

     Estudos científicos têm demonstrado uma associação positiva entre sobrepeso, obesidade e risco de desenvolvimento de diversos tipos de câncer, como também na mortalidade por essa doença. Acredita-se que o provável mecanismo esteja relacionado à hiperinsulinemia e ao alto nível do fator de crescimento dependente de insulina (IGF-1) e proteínas que se ligam ao IGF-1 (IGFBP), além de dietas caracterizadas pelo consumo excessivo de energia. Há uma maior associação entre o excesso de peso e o risco de câncer colorretal em homens quando comparado com as mulheres, sugerindo que a distribuição abdominal ou central de adiposidade corporal (tipicamente masculina) é o principal componente do aumento desse risco, uma vez que está associada fortemente com a resistência à insulina e à hiperinsulinemia.

       Os carboidratos complexos (vide post carboidratos) diminuem o risco de câncer colorretal, porém seu efeito protetor pode ser atenuado se a maior parte do amido da dieta for refinado. Dietas ricas em carboidratos refinados tendem a ser pobres em fibras, hortaliças, frutas e outros alimentos que exercem efeito protetor contra o câncer colorretal, reforçando a ideia de que principalmente a qualidade dos carboidratos será o fator-chave na sua relação com o câncer, o que pode ser confirmado através de estudos experimentais, epidemiológicos e clínicos que comprovam a relação da carcinogênese com o consumo excessivo de alimentos ricos em carboidratos simples e refinados e pobre em fibras.

       Estudos científicos têm comprovado o efeito protetor de algumas hortaliças como brócolis, repolho, couve-flor e couve-de-bruxelas, no câncer colorretal. Essas hortaliças contêm substâncias químicas, indóis e isotiocianatos, capazes de estimular enzimas de destoxifixação ou redutoras da atividade de enzimas hepáticas que convertem compostos químicos ambientais em potentes carcinógenos, aumentando a solubilidade aquosa de toxinas corporais e sua consequente eliminação.

       A carência de fibras na dieta eleva o tempo de trânsito intestinal, aumentando a concentração do conteúdo do lúmen, propiciando um maior contato de agentes nocivos e carcinógenos com a mucosa do cólon. Dentre esses agentes, destacam-se os sais biliares, metabólitos de ácidos graxos de cadeia curta, gerados pelo aumento do pH intraluminal com dietas pobres em fibras, que são formados pelo metabolismo de gorduras e proteínas animais, determinando alterações epiteliais importantes, podendo culminar com o desenvolvimento dos cânceres de cólon e reto.

O consumo regular de leguminosas é imprescindível devido ao seu efeito benéfico para a saúde, promovendo a redução de diversas doenças como o câncer. Na literatura, a relação entre o câncer colorretal e as leguminosas não está completamente elucidada e estudos epidemiológicos demonstram efeitos contraditórios. Entretanto as leguminosas contêm carboidratos complexos, proteínas de origem vegetal, fibras, fitoquímicos, minerais como o cálcio, ferro, potássio, zinco e manganês e substâncias bioativas que exercem diversos efeitos protetores contra o câncer.

Na literatura, não há consenso quanto à relação entre o consumo de carne e seus derivados e o desenvolvimento de câncer colorretal. Evidências epidemiológicas sugerem que dietas com alto teor de carne vermelha e de gordura, associadas a um baixo teor de carboidratos fermentados como as fibras, aumentam o risco de câncer de cólon. Um dos mecanismos que pode explicar a associação entre o câncer colorretal e a carne vermelha é o aumento do metabolismo de proteínas no cólon. Os produtos finais desse processo metabólico incluem a formação de amônia, fenóis, indóis, nitratos, sulfitos e aminas, que têm demonstrado efeitos tóxicos em estudos in vitro e em modelos animais. Estes compostos estão presentes em amostras fecais, sugerindo um efeito tóxico sobre a mucosa intestinal.

Vários estudos epidemiológicos estão sendo conduzidos para determinar os efeitos do consumo de leite e lacticínios na carcinogênese. Há também evidências consideráveis de que o cálcio do leite protege contra o câncer de cólon. A proteína do soro do leite tem papel benéfico, demonstrado em estudos com animais e humanos. Dados experimentais têm revelado que a lactoferrina bovina inibe a carcinogênese no cólon.

Existe uma relação positiva entre a incidência de câncer de cólon e a média percentual de calorias provenientes das gorduras, tanto para homens quanto para mulheres. O World Cancer Research Fund e American Institute for Cancer Research sugerem haver evidências consistentes de que dietas ricas em gorduras possam aumentar o risco de câncer colorretal. O papel das gorduras na carcinogênese pode variar de acordo com a sua origem e composição. Acredita-se que a elevada ingestão de gordura total promove aumento na produção de ácidos biliares, que são mutagênicos e citotóxicos.


Doenças crônicas, como o câncer, estão relacionadas ao aumento na produção de tromboxanas, leucotrienos, interleucina-1, interleucina-6, fator de necrose tumoral e proteína C-reativa, devido à resposta imunológica realizada pelo organismo. O aumento no consumo de ômega-6 promove elevação desses fatores, enquanto o aumento no consumo de ômega-3 (ácido alfa-linolênico), contido nos peixes, promove a redução dos mesmos. Estudos indicam que as dietas ocidentais são deficientes em ômega-3 e que, nelas, a relação ômega-6/ômega-3 oscila de 15:1 a 16,7:1, reconhecendo que a modulação dessa relação para 2,5/1 reduz a proliferação celular retal em pacientes com câncer.

A água desempenha diversas funções orgânicas vitais e imprescindíveis como transporte de gases, alimentos e produtos do metabolismo celular, regulação da temperatura corpórea, dentre outras. Apesar da recomendação de pelo menos 2 litros de água por dia, é sabido que, em determinadas condições clínicas, como idade avançada e carcinoma do trato gastrintestinal, a necessidade de água encontra-se reduzida.

Evidências científicas têm sugerido um efeito protetor do consumo de café no risco de desenvolvimento de câncer colorretal. Acredita-se que esse efeito está relacionado às substâncias bioativas presentes no café como flavonoides, entre outros antioxidantes. Na literatura, há controvérsias em relação a essa associação. Dados de cinco estudos que relacionaram o consumo de café com o risco de câncer colorretal demonstraram os seguintes resultados: em três estudos, houve uma ausência de associação; em um estudo, risco aumentado de câncer entre os consumidores de café; e, no outro estudo, associação inversa entre o consumo do café e o risco dessa doença.

Estudos epidemiológicos indicam que, além de uma dieta variada com elevado consumo de frutas, hortaliças e fibras, baixo consumo de alguns tipos de gordura e ingestão calórica moderada, a prática de atividade física está intimamente relacionada ao risco reduzido de diversos tipos de câncer, particularmente, colorretal.

Vários mecanismos podem explicar o papel da atividade física regular na redução do risco de câncer. O primeiro deles seria a influência sobre o sistema imunológico. Acredita-se que a atividade física regular ativa o sistema imunológico de forma semelhante à que ocorre com uma infecção leve. O mecanismo seria o aumento na produção de interferon, que pode manter estimuladas as células NK (Natural Killers), fundamentais na luta imunológica antitumoral, no processo de metástases e infecções virais.

Outra possível explicação de como a atividade física regular pode auxiliar na prevenção do câncer de cólon está relacionada à regulação dos radicais livres. É sabido que a geração de moléculas reativas de oxigênio (radicais livres) pode causar danos genéticos nas células, contribuindo para o desenvolvimento do câncer. Apesar do exercício intenso estar associado à produção de radicais livres, a atividade física regular pode melhorar as defesas do organismo contra estes elementos através da regulação e adaptação da atividade de enzimas-chave varredoras de radicais livres (superóxido dismutase e glutationa peroxidase), como também dos níveis de antioxidantes no organismo (glutationas e tocoferóis). Ainda é desconhecido na literatura o grau de influência que estas mudanças induzidas pelo exercício exercem sobre o desenvolvimento do câncer.



Outro importante efeito da atividade física está relacionado ao aumento da motilidade intestinal. A prática desportiva regular, principalmente aeróbia, pode estimular a peristalse, reduzindo o tempo de trânsito intestinal dos alimentos, provavelmente por um tônus parassimpático aumentado. Com isso, reduz-se a incidência de câncer de cólon por diminuição da oportunidade de exposição da mucosa colônica a potentes agentes carcinogênicos, como também aos ácidos biliares, que vêm sendo acentuadamente descritos como possíveis promotores do câncer de cólon.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.


Referências Bibliográficas:

Colorretal. Instituto Nacional de Câncer. Disponível em: www.inca.gov.br Acessado em: 16/08/2013.

Fortes, RC; Rêcova, VL; Melo, AL; Novaes, MRCG. Hábitos Dietéticos de Pacientes com Câncer Colorretal em Fase Pós-operatória. Rev Bras Cancererologia 2007; v.53, n.3: p.277-289.

Leser, SM; Soares, EA. Aspectos nutricionais e atividade física na prevenção do câncer colorretal. Rev Soc Bras Alim Nutr 2001; v.21: p.121-145.

Valadão,M; Castro, LS. Câncer Colo-Retal Hereditário. Rev Col Bras Cir 2007; v.34, n.3: p.193-200.
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