quarta-feira, 22 de novembro de 2023

Inflamação Aguda e Crônica

 

Existem dois tipos de inflamação: aguda e crônica. Inflamação é o mecanismo de defesa natural do organismo. Quando o corpo é infectado ou sofre um trauma, as células imunológicas reconhecem as moléculas impróprias e produzem fatores pró-inflamatórios, chamados de citocinas, para coordenar a luta contra a infecção ou para reparar o tecido celular avariado. Já a inflamação sistêmica subclínica ou subaguda pode ser definida como a produção crônica, em baixo grau, de fatores inflamatórios. Ela é silenciosa e frequentemente ignorada como uma causa de problemas de saúde. Vários fatores podem contribuir para a inflamação crônica de baixo grau, incluindo alimentos inflamatórios, toxinas ambientais, excesso de peso e estresse contínuo.

 

Inflamação aguda

A inflamação aguda é temporária e projetada para ajudar o corpo a curar ou combater um agressor. O início é rápido, desencadeado por uma lesão (como um corte, hematoma, cirurgia, queimadura ou entorse), ou quando o corpo é infectado por bactérias ou vírus. O sistema imunológico desencadeia uma resposta inflamatória aguda, e assim o fluxo sanguíneo e os glóbulos brancos e células imunes são direcionados para a área ferida ou sob ataque.

 

Sinais e sintomas agudos

Os sinais de inflamação aguda incluem inchaço, vermelhidão, dor, febre e pus. Embora incômodos, estes sintomas indicam que o sistema imune está funcionando como deveria. A maioria das inflamações agudas se dissipa e desaparece dentro de alguns dias ou semanas. Quando o problema é resolvido a inflamação termina, permitindo que o sistema imunológico descanse.

 

Inflamação crônica

A inflamação crônica é uma inflamação sistêmica, que pode durar meses, anos ou até mesmo décadas. Ela é silenciosa, não dói, não dá febre, não incha e pode ser de difícil detecção. Também é conhecida como inflamação subclínica ou de baixo grau. Neste caso, o sistema imune fica trabalhando de forma constante, produzindo citocinas pró-inflamatórias em baixas quantidades. A resposta inflamatória contínua leva lentamente a um sistema imunológico sobrecarregado.

 

Doenças degenerativas, metabólicas e autoimunes

Ao longo dos anos, estas moléculas de inflamação vão corroendo silenciosamente diversos tecidos através do corpo: articulações, coração, vasos sanguíneos, intestino, tireoide, cérebro e muitos outros. Isto resulta em doenças degenerativas, metabólicas e autoimunes não transmissíveis, como obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares, hipertensão arterial, problemas neurológicos, osteoartrite, tireoidite, câncer.

 


Sobrecarga crônica no sistema imune

Como vimos, a inflamação aguda é um processo essencial que defende contra bactérias nocivas e também desempenha um papel fundamental na manutenção e reparação de tecidos avariados por traumas. Em certas condições, há uma linha cruzada entre a regulação imunológica (a partir de macrófagos) e um metabolismo defeituoso, resultando em inflamação persistente na ausência de infecção ou ferimento. A sobrecarga crônica no sistema imune afeta sua capacidade de curar e proteger o corpo, e também começa a afetar o bom funcionamento dentro de outros sistemas com os quais o sistema imune interage regularmente, como os sistemas endócrino, cardiovascular e nervoso.

 

Causas principais

A inflamação crônica subaguda geralmente é desencadeada por irritantes e compostos estranhos, como produtos químicos, aditivos e alérgenos encontrados nos alimentos e no ambiente, e também fatores de estilo de vida, como estresse contínuo, sono de má qualidade, alimentação desregrada, disbiose (microbiota intestinal desequilibrada), sedentarismo e excesso de gordura corporal. Fatores adicionais são idade e genética. Essas condições podem estimular uma resposta inflamatória sistêmica de baixo nível que, ao contrário da inflamação aguda, não desaparece espontaneamente, a menos que mudanças no estilo de vida, dieta ou ambiente sejam feitas.

 

Sinais e sintomas crônicos

Identificar a inflamação crônica de baixo grau é difícil porque os sinais tendem a ser vagos e sutis. Sintomas suspeitos podem ser gases em excesso, inchaço no corpo, mudanças nos hábitos digestivos, rigidez e dor nas articulações, colesterol LDL alto e HDL baixo, glicose elevada, resistência à insulina, gordura no fígado, ganho de peso ou incapacidade de perder peso, falta de energia. Pode também haver um aumento de sensibilidade a outros irritantes, intensificando a inflamação crônica dentro do corpo.

 

Texto elaborado por: Dra. Tamara Mazaracki. 

 

Título de Especialista em Nutrologia –  Associação Brasileira de Nutrologia;

 

Membro Titular da ABRAN – Associação Brasileira de Nutrologia;

 

Pós-graduação em Medicina Ortomolecular, Nutrição Celular e Longevidade – FACIS-IBEHE – Faculdade de Ciências da Saúde de São Paulo e Centro de Ensino Superior de Homeopatia;

 

Pós-graduação em Medicina Estética – Instituto Brasileiro de Pesquisa e Ensino – IBRAPE.

 

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizada única e exclusivamente, para seu conhecimento.

 

 

Referências Bibliográficas:


*Stat Pearls 2023. Chronic Inflammation.

*Journal of Endocrinology 2023. Immunology of chronic low-grade inflammation: relationship with metabolic function.

*Cells 2022. Macrophages, Chronic Inflammation & Insulin Resistance.

 

*Natural Reviews in Immunology 2020. The intestinal microbiota fuelling metabolic inflammation.

 

*Lipids in Health & Disease 2023. Free fatty acids & peripheral blood mononuclear cells are correlated with chronic inflammation in obesity.

 

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