sábado, 10 de outubro de 2015

Dia Nacional de Prevenção da Obesidade



          A obesidade é uma enfermidade crônica que se caracteriza pelo acúmulo excessivo de gordura no tecido adiposo, comprometendo a saúde do indivíduo O adipócito é a célula que aumenta em até mil vezes o seu tamanho para armazenar gordura. A partir desse momento, a célula se divide, aumentando em número. Portanto, pode-se dizer que o armazenamento de gordura corporal não tem limite.

       O tecido adiposo é composto por gordura, pequenas quantidades de proteína e água, podendo aumentar de tamanho (hipertrofia) ou quantidade (hiperplasia). O ganho de peso pode ser resultante de hiperplasia, hipertrofia ou da combinação das duas. A obesidade, porém, é sempre caracterizada por hipertrofia, embora algumas também envolvam hiperplasia (em especial durante a lactância e a adolescência). A hiperplasia também pode ocorrer na vida adulta, quando o conteúdo de gordura das células existentes alcançam sua capacidade. Na fase adulta, o ideal é que não ocorra a hiperplasia, porque a divisão pode levar a modificação celular e proporcionar o surgimento de câncer.

            A obesidade androide ou em forma de maçã é caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura na cavidade abdominal. É muito comum em homens e está relacionada com um alto risco de doenças cardiovasculares. Outra forma clínica é a obesidade ginoide ou em forma de pera, caracterizada pelo aumento do depósito de gordura nos quadris. A sua presença está relacionada com maior risco de artroses e varizes, muito comuns nas mulheres. Por fim, a obesidade generalizada é aquela na qual ocorre a distribuição de gordura por igual em todo o corpo, podendo acometer indivíduos de ambos os sexos.



            A etiologia da obesidade está relacionada a fatores genéticos, culturais, psicológicos e ambientais, como o estilo de vida moderno, diminuição na prática de atividade física e consumo de alimentos industrializados e de alta densidade calórica. Também pode estar ligada a problemas nos mecanismos fisiológicos de regulação hormonal e ao uso de medicamentos.

Recomendações alimentares para a manutenção do balanço energético e do peso saudável:

1)    Diminuir a densidade energética dos alimentos. Alimentos de alta densidade energética promovem ganho de peso. Esses alimentos, ricos em gorduras ou carboidratos simples, são, em geral, altamente processados e pobres em micronutrientes. Já os alimentos de baixa densidade energética são aqueles que possuem maior teor de água em sua composição, como frutas, legumes e verduras. Em geral, são alimentos ricos em micronutrientes. Postula-se que alimentos com elevada densidade energética, altamente palatáveis, promoveriam um “superconsumo passivo” de energia total. Fast foods, por exemplo, podem interferir no controle do apetite, favorecendo a ingestão energética excessiva e o desenvolvimento de obesidade.

2)    Aumentar o consumo de fibras. As fibras atuam na regulação do peso corporal porque são menos palatáveis e interferem na digestão de outros carboidratos, e também porque afetam o equilíbrio da glicose hepática. São alimentos de baixo valor energético e dão volume a alimentação consumida, podendo aumentar a sensação de saciedade após as refeições. Como as pessoas tendem a consumir quantidades mais ou menos fixas de alimentos, uma grande quantidade de alimentos de baixo valor energético pode colaborar para evitar a ingestão energética excessiva. Apesar de não se saber o valor mínimo de fibras necessário para a prevenção da obesidade, é provável que o consumo das quantidades recomendadas de frutas, grãos, verduras e legumes garantam uma ingestão suficiente de fibras.



3)    Promover a ingestão de frutas e vegetais. O aumento da ingestão de frutas, legumes e verduras reduz a densidade de alimento que pode ser consumido para um determinado nível de energia. A redução da densidade energética aumenta a saciedade, um efeito que se manifesta após o término da refeição. Esses efeitos podem ajustar o balanço energético e o controle do peso. Outro aspecto potencialmente benéfico no aumento da ingestão de frutas, verduras e legumes é que se consumo à vontade pode ameninar a sensação de fome, típica de dietas de emagrecimento e de manutenção de peso. Alimentos com baixo índice glicêmico podem aumentar a saciedade, porém, mesmo entre esses grupos de alimentos e entre as leguminosas existem variações no índice glicêmico (por exemplo, batata, mandioca e banana tem alto índice glicêmico, enquanto maçã, cenoura e feijão têm baixo índice glicêmico). Em função disso, os efeitos de consumo destes tipos de alimentos, no que diz respeito à manutenção de peso adequado, ainda requerem mais estudos, mas há consenso sobre os benefícios dessa recomendação para a saúde das pessoas, de maneira geral.

4)    Restringir o consumo de bebidas açucaradas. O consumo frequente de refrigerantes tem sido associado ao ganho de peso. Uma explicação é que os efeitos fisiológicos da ingestão de energia sobre a saciedade são diferentes para líquidos e para alimentos sólidos.

5)    Restringir alimentos com alto índice glicêmico. O índice glicêmico é uma forma de classificar os alimentos de acordo com a resposta glicêmica que produzem. Alimentos de alto índice glicêmico são rapidamente digeridos e absorvidos, com maior efeito na glicemia, e têm sido apontados como possível cofator da obesidade. A hipótese é que níveis diferentes de glicemia provocariam diferentes respostas hormonais na regulação do apetite.

6)    Limitar o consumo total de gorduras. Substituir o consumo de gorduras saturadas por insaturadas e eliminar o consumo de gorduras hidrogenadas ou gorduras trans. Sugere-se que uma dieta pobre em gordura, rica em proteína e em carboidratos e com alto teor de fibras promove a saciedade, a partir de uma menor taxa energética, quando comparada com alimentos gordurosos, produzindo, ainda, benefícios para os níveis de gorduras no sangue e de pressão arterial. A redução na gordura na dieta, sem restrição do total de energia, pode prevenir ganho de peso em indivíduos eutróficos e gerar perda de peso naqueles com sobrepeso e obesos. Dietas com alta densidade de gordura saturada, gordura trans e colesterol estão associadas ao maior risco de desenvolvimento de doença coronariana.




As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizada única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas:

Carvalho, KMB; Dutra, ES; Araújo, MSM. Obesidade e Síndrome Metabólica. In: Cuppari, L. Nutrição: nas doenças crônicas não-transmissíveis. 1 ed. Barueri, São Paulo: Manole, 2009.

Filho, JALG. Obesidade. In: Medeiros, FJ. Diestel, CF. Nutrição: Questões, Respostas Comentadas. 1. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013.

Martins, BT; Basílio, MC; Silva, MA. Nutrição aplicada e alimentação saudável. 1. ed. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2014.


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