terça-feira, 12 de abril de 2016

O Que Alimenta Seu Cérebro?



100 trilhões de conexões celulares em eterna troca de informações tecem a estrutura mais complexa do Universo: o cérebro humano.

De uma célula para outra, no entanto, a informação trafega no cérebro 1 milhão de vezes mais devagar do que um sinal de computador. Apesar da desvantagem inicial, o cérebro consegue reconhecer um rosto em fração de segundo, portanto, no final das contas, está um corpo à frente da Informática. A diferença é possível porque bilhões de células nervosas, os neurônios, podem trabalhar ao mesmo tempo na solução de um único problema, como identificar uma forma ou compreender uma ordem, enquanto um computador processa , passo a passo, as informações que recebe.  
                             
Calcula-se que existam entre os neurônios nada menos de 100 trilhões de contatos, as sinapses. Junto com a câmara de pósitrons, o único aparelho que permite visualizar o cérebro em atividade, o computador simulador de neurônios é um dos recentes recursos que podem ajudar o homem a conhecer os segredos da sua inteligência. De fato, tão complicado como entender a inteligência é compreender por que ela se manifesta de maneira diferente de pessoa para pessoa. Ou seja, compreender por que uns são mais criativos do que outros, por que há quem goste de compor música e quem prefira escrever, como enfim a inteligência se desdobra em infinitos perfis.      

As células do cérebro (neurônios) são formadas por nutrientes, assim como todo o nosso organismo. Portanto, sua estrutura e função dependem dos nutrientes, que são obtidos pela alimentação. Diante disso, é fácil entender que se a alimentação for inadequada, todo o corpo sofre, inclusive o cérebro. A alimentação da maioria da população esta cada vez mais pró-oxidante, inflamatória, uma vez que é rica em calorias vazias, produtos industrializados e refinados e assim pobres em nutrientes, este fato somado a outros fatores gera vários desequilíbrios no organismo, inclusive no cérebro, fazendo com que o mesmo perca a sua real efetividade.  Quando o assunto é memória sabemos que há um declínio natural com o passar dos anos. Isso ocorre porque acontecem diversas alterações neuronais relacionadas ao avanço da idade. Entretanto, é cada vez mais frequente pessoas jovens relatarem falta de memória.  Alguns estudos mostram que determinados nutrientes e compostos bioativos podem contribuir para a diminuição dos efeitos nocivos a que estamos expostos diariamente, melhorando a saúde cerebral.

Com relação às carências nutricionais, é importante destacar que desde a infância a ingestão adequada de nutrientes interfere na saúde cognitiva. Os bebês quando são amamentados com leite materno recebem nutrientes fundamentais para o desenvolvimento cerebral.

Estudos comprovam que bebês amamentados com leite materno possuem desempenho neuronal superior aos amamentados com fórmulas lácteas. Um dos fatores associados a esse benefício é a presença de EPA (ácido eicosapentaenoico) e DHA (ácido docosaexaenoico).
     
 Segundo uma pesquisa realizada na Universidade Laval, no Canadá, o ômega 3 protege os neurônios contra os radicais livres, notórios destruidores de células. Acredita-se que o cérebro do homem só foi desenvolvido quando ele chegou perto do mar, e isso deu indícios de que os peixes eram os responsáveis por tamanha evolução. Estudos mostram que uma parte do cérebro é composto de cadeias poli-insaturadas de Ômega 3, como as que são encontradas no peixe. Portanto, o peixe é útil nesse processo de ótimo desenvolvimento cerebral, olhos e sistema nervoso em geral.

Alimentos Positivos para o Cérebro 

● Peixes, principalmente os de água fria (como a sardinha, o salmão, anchova, atum, arenque e cavala) e linhaça, são boas fontes de ômega 3, que protegem os neurônios contra o “envelhecimento”. Segundo uma pesquisa de estudos populacionais realizada pela equipe de Ernst Schaefer da universidade Laval, no Canadá, foi observado um risco 47% menor de desenvolver Alzheimer em indivíduos com taxas significativas de DHA (ácido docosahexaenoico, ou seja, ácido graxo presente no peixe) por consumirem pelo menos uma porção de peixe por semana.

Carnes, aves, grãos integrais, leguminosas, leite e derivados, são alimentos ricos em vitaminas do complexo B, e ajudam a regular a transmissão entre os neurônios. Na carne vermelha ainda é encontrado ferro que pode colaborar com a boa memória.
Gema de ovo: contém colina, participa da formação de novos neurônios, ajuda na reparação de células cerebrais e ainda é precursor do neurotransmissor acetilcolina, neurotransmissor essencial para a memória e o aprendizado. Além disso, é importante para a formação de novas células nervosas e na reparação de células lesadas.
Maçã, uma das principais fontes de fisetina, segundo estudos realizados no instituto Salk, nos EUA, este fitoquímico que favorece o amadurecimento das células nervosas e estimula mecanismos cerebrais associados à memória. Na universidade de Massachusetts, Lowell, foram encontrados resultados semelhantes. Estudiosos fizeram experiências com o suco de maçã, cobaias que ingeriram três copos diários se saíram melhor em testes de memória. Outras fontes de fisetina são: cebola, espinafre, morango, pêssego, kiwi e uva.
Vitamina D também vem sendo muito estudada para o bom funcionamento cerebral. A mesma é considerada um pró-hormônio e apresenta muitas funções no organismo, entre elas proteger o cérebro contra a degeneração neuronal.            
● Os alimentos ricos em antioxidantes, como flavonoides e carotenoides, a vitamina E, e o selênio, apresentam papel protetor dos neurônios, impedindo possíveis lesões no cérebro e combatendo o envelhecimento celular.
Nutrientes
Fontes Alimentares
DHA
Suplementos de óleo de peixe, sementes e óleo de linhaça, sementes de chia, nozes.
Colina
Ovo e lecitina de soja.
Vitamina D
Peixes, leite, ovos, óleo de fígado de bacalhau.
Flavonoides, Carotenoides, Vitamina E, e Selênio.
Uva, morango, amora, cereja, pêssego, caqui, pimentão, batata doce, manga.

Curiosidade 

Pesquisadores da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), no Rio Grande do Sul, pesquisam o soro da memória, é um líquido que contém componentes poderosos e concentrados, como proteínas e lipídios, substâncias que atuam ajudando os neurônios a fazerem suas redes e as comunicações entre eles. O soro do leite é a parte líquida do leite. Você pode fazer em casa essa receita, porém, leites de caixinha e em pó não funcionam, pois o processamento industrial destrói os ingredientes que agem no cérebro. O leite recomendado é o leite em saquinho, tipo A ou B.         

A receita do soro

Para cada litro de leite, misture o suco de um limão inteiro.        
Deixe descansar de quatro a doze horas até coagular.
Depois, separe a parte sólida da líquida com uma peneira bem fina. O que sobra é o soro da memória.
Pode ficar de três a cinco dias na geladeira e também pode ser congelado.

Alimentos Negativos para o Cérebro

● Dietas com excesso de gordura, saturada, trans e hidrogenada ou esterificada tem impacto negativo sobre o cérebro. O exagero no consumo de açúcares e de carboidratos de alto índice e carga glicêmica também afeta a saúde neuronal. Excesso ou deficiência da vitamina A, D e zinco.


● Consumo excessivo de cafeína e álcool.

● Excesso ou aumento do complexo B6, B12, ácido fólico aumento da homocisteína no sangue, e altas taxas são consideradas um fator de risco para o desenvolvimento de Alzheimer e Parkinson, além disto, promovem desequilíbrio da função tireoidiana e outros desequilíbrios hormonais.

● Consumo frequente de alimentos com agrotóxicos e aditivos alimentares.

Outros fatores Negativos

Alguns neurotransmissores que em condições normais estão relacionados à melhoria da memória também favorecem a sua redução em caso de estresse, pois tudo vai depender da quantidade em que são liberados. A ação negativa ocorre quando o estresse se torna crônico, pois algumas substâncias, como os glicocorticoides, quando liberados em doses altas se tornam prejudiciais.

A privação do sono diminui a memória especialmente porque uma noite bem dormida favorece a produção da melatonina, que possui ação protetora neuronal principalmente por desempenhar papel antioxidante, diminuindo os efeitos do estresse oxidativo no cérebro. 

A partir desta leitura, espero que as informações processadas sejam armazenadas pelo seu cérebro e colocadas em prática. Só assim você irá garantir que seu cérebro esteja sendo bem alimentado, otimizando seu funcionamento e desacelerando a degeneração!

Texto elaborado por: Dra. Roseli Lomele Rossi - CRN 2084.

Nutricionista formada pelas Faculdades Integradas São Camilo (CRN 2084 /1983), com título de Especialista em Nutrição Clínica concedido pela ASBRAN - Associação Brasileira de Nutrição. 

Pós Graduada nos cursos de especialização de Planejamento, Organização e Administração de Serviços de Alimentação; Fitoterapia Aplicada à Nutrição Funcional e Nutrição Ortomolecular com Extensão em Nutrigenômica.

É Diretora da Clínica Equilíbrio Nutricional e autora dos Livros: "Saúde & Sabor com Equilíbrio" - Receitas Infantis, “Saúde & Sabor com Equilíbrio” – Receitas Diet e Light Volumes I e II, Colaboradora do livro Nutrição Esportiva – Aspectos relacionados à suplementação nutricional e autora do Livro “As Melhores Receitas Light da Clínica Personal Diet”.

Dra. Juliana Rossi Di Croce – CRN 40228

Nutricionista pela Universidade Cruzeiro do Sul

Pós-Graduação em Nutrição Ortomolecular com Extensão em Nutrigenômica – FAPES

Nutricionista Clínica e Sócia Diretora da Clínica Equilíbrio Nutricional.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizada única e exclusivamente, para seu conhecimento.



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