quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Andropausa



O processo de menopausa nas mulheres tem seu equivalente nos homens: a andropausa ou deficiência androgênica progressiva do envelhecimento masculino. Nos homens sua instalação é mais gradual do que nas mulheres, pode começar ao redor dos 35 anos com pequenas mudanças na maneira de pensar e agir, e por volta dos 40 ou 50 o homem percebe uma diminuição da energia, da acuidade mental, da libido e da qualidade da ereção.

Hormônios em baixa

A andropausa, assim como a menopausa, é causada pela diminuição do nível de hormônios, principalmente a testosterona e o DHEA (dehidroepiandrosterona). O grau de envelhecimento do homem vai depender do declínio desses hormônios e do seu estilo de vida (alimentação, exercício físico, nível de stress, tabagismo, uso de álcool, drogas e medicamentos).

Doença ou deficiência hormonal?

A deficiência hormonal é um problema de saúde pouco compreendido no homem com mais de 40 anos, levando a diagnósticos errados. Muitas das doenças que o homem de meia-idade apresenta, incluindo depressão, ganho de peso, aumento da gordura visceral, perda de massa muscular e massa óssea, doenças cardíacas e prostáticas, diabetes, hipertensão, disfunções urinárias e sexuais, estão diretamente ligadas ao desequilíbrio ou deficiência hormonal, o que pode ser corrigido através da reposição com hormônios, quando necessário. Infelizmente, ainda é comum a prescrição de medicamentos para tratar os sintomas de problemas que, na verdade, são causados por deficiência hormonal. 

Diagnosticando a andropausa

O diagnóstico é feito por um exame de sangue para medir o nível de hormônios como testosterona, DHEA, estrogênio e outros marcadores, e por um questionário direcionado (anamnese), para verificar os sinais e sintomas da andropausa.

Sinais e sintomas

A andropausa se manifesta por diminuição da energia e força muscular, aumento da gordura corporal, diminuição de massa magra (sarcopenia) e massa óssea (osteoporose), diminuição da capacidade mental, depressão, risco aumentado de câncer, doença cardíaca, aterosclerose, diabetes, diminuição da libido, da qualidade da ereção e do vigor sexual.

Repondo os hormônios

O assunto reposição hormonal (até há pouco tempo exclusividade das mulheres) vem se tornando cada vez menos incomum entre os homens, e tem sido um tema privilegiado em congressos abordando a saúde do homem. Se comparado com as mulheres, o número de homens que recorrem à reposição hormonal ainda é muito pequeno, talvez por receio, preconceito ou desconhecimento. Da mesma forma como ocorre com as mulheres, o tratamento para os homens depende de avaliação periódica e acompanhamento médico.

Câncer

A evidência atual não mostra um aumento na ocorrência de câncer em pacientes recebendo reposição hormonal com testosterona. Alguns estudos mostram inclusive um efeito protetor de níveis adequados de testosterona em relação ao câncer de próstata. Sempre deve haver uma avaliação criteriosa para se pesar riscos e benefícios.

Tratamento

Em casos leves ou iniciais, os homens podem responder positivamente ao tratamento com fitoterápicos, vitaminas e minerais. Quando a deficiência é mais intensa, há necessidade de se fazer a reposição com testosterona. Um hormônio que produz tanto bem-estar merece os holofotes. Níveis adequados ajudam a manter a energia, a boa forma e a saúde sexual, a prevenir o diabetes, doenças cardiovasculares e cerebrais (depressão, Alzheimer, Parkinson), e a aumentar a longevidade com qualidade de vida.

Testosterona bioidêntica

A reposição hormonal com testosterona bioidêntica (hormônio com estrutura molecular idêntica à testosterona produzida pelo corpo humano) traz vantagens, como a melhora da força e disposição, aumento da massa muscular, redução do percentual de gordura, aumento da capacidade cognitiva e da memória, melhora da libido e do bem estar geral. Estudos recentes indicam que a testosterona protege o coração e o cérebro.  

Anabolizantes

Outra questão completamente diferente é o uso de derivados da testosterona em altas doses. Adultos jovens produzem testosterona em níveis adequados e não precisam de nenhuma reposição. Efeitos devastadores são produzidos em pessoas que querem aumentar a massa muscular usando anabolizantes. Para este fim são feitos ciclos com esteroides androgênicos (derivados sintéticos da testosterona), de procedência muitas vezes duvidosa, causando um sério desequilíbrio hormonal. Os riscos e efeitos colaterais do uso inadequado e excessivo de anabolizantes são muitos: acne, ginecomastia (crescimento das mamas), aumento do número de hemácias tornando o sangue mais viscoso (o que predispõe a derrames e infarto), lesões no fígado (que podem evoluir para hepatite e câncer), retenção de água e sódio (aumento da pressão arterial), crescimento da próstata e formação de tumores.  

Texto elaborado por: Dra. Tamara Mazaracki.

Título de Especialista em Nutrologia –  Associação Brasileira de Nutrologia;

Membro Titular da ABRAN – Associação Brasileira de Nutrologia;

Pós-graduação em Medicina Ortomolecular, Nutrição Celular e Longevidade – FACIS-IBEHE – Faculdade de Ciências da Saúde de São Paulo e Centro de Ensino Superior de Homeopatia;

Pós-graduação em Medicina Estética – Instituto Brasileiro de Pesquisa e Ensino – IBRAPE.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizada única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas:

*American Journal of Mens Health 2016. An Overview of Testosterone Therapy.

*Therapeutic Advances in Urology 2016. Testosterone deficiency in the aging male.

*Journal of Andrology 2009. The dark side of testosterone deficiency: I. Metabolic syndrome and erectile dysfunction. II. Type 2 diabetes and insulin resistance.

*Urologic Clinic of North America 2011. Testosterone deficiency and risk factors in the metabolic syndrome: implications for erectile dysfunction.

*Current Urology Reports 2013. The evaluation and management of testosterone deficiency: the new frontier in urology and men's health.

*Urologic Clinic of North America 2011. Testosterone and prostate cancer: what are the risks for middle-aged men?

*Prostate 2001. High-grade prostate cancer is associated with low serum testosterone levels.





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