quarta-feira, 10 de maio de 2017

Noz da Índia



A nogueira da índia (Aleurites moluccana) é originária da Indonésia, sendo cultivada em diversas áreas do mundo com clima tropical, incluindo o Brasil. Seu fruto, a noz da índia, ganhou bastante evidência como um ativo emagrecedor, permitindo “perdas espetaculares de peso sem necessidade de fazer dieta”. Mais um produto miraculoso no mercado! Entretanto, a noz pode ser tóxica se usada de forma errada e causa diversos efeitos colaterais, o que levou a ANVISA a proibir sua venda em território nacional, seguindo o veto em outros países, como Austrália, Espanha e Chile.

Noz da Índia

Ela se parece com a macadâmia, e é vendida em saquinhos com 8, 12, 30 ou mais unidades. A recomendação de uso é de apenas 1/8 ou 1/4 da semente, tomada diariamente com bastante água.  Supostamente ela promove a perda de peso “dissolvendo” os depósitos de gordura do corpo, acelera o trânsito intestinal, reduz o apetite e a compulsão por alimentos, atua na celulite, diminui o colesterol, combate hemorroidas, melhora a qualidade da pele e dos cabelos. Será mesmo?

Propriedades medicinais

As frutas, folhas e casca desta planta são usadas na medicina tradicional asiática para o tratamento de dor de cabeça, náusea, febre, inflamação, gonorréia e para baixar o colesterol. Extratos de Aleurites moluccana mostraram atividade antibacteriana in vitro contra Staphylococcus aureus e Pseudomonas aeruginosa. No entanto, não há ensaios clínicos em humanos para avaliar seus potenciais efeitos benéficos ou toxicológicos.

Gato por lebre

As sementes de noz da índia contêm saponina e forbol, dois ativos levemente tóxicos quando consumidos crus e em grande quantidade. O grande problema é que outra noz de aspecto semelhante, derivada da Thevetia peruviana, uma planta conhecida como chapéu de Napoleão, tem sido usada no lugar da noz da índia. A Thevetia é altamente tóxica e perigosa para o consumo humano, podendo causar dor abdominal intensa, vômitos, problemas cardíacos (arritmia) e respiratórios, e até mesmo a morte.  



Efeitos colaterais

Os efeitos adversos da noz da índia incluem flatulência, sudorese aumentada, dor abdominal, diarréia, dor muscular, dor de cabeça, desidratação, cãimbras, desnutrição e óbito. A ação laxativa em algumas pessoas é tão forte que pode ocorrer uma redução na absorção de água e de nutrientes como potássio e magnésio. Sem água e minerais suficientes o sistema nervoso não funciona bem e músculos perdem tônus e força. O coração é um músculo e pode começar a bater de forma irregular, levando à arritmia cardíaca, uma grave condição médica. 

Contraindicações absolutas

Como as nozes podem ter uma ação laxativa intensa, elas não devem ser usadas em pessoas com problemas intestinais, como colite (inflamação do intestino) ou síndrome do intestino irritável. Portadores de doenças do fígado, coração ou rim devem evitar o produto, assim como mulheres grávidas e na lactação, pessoas em estado de convalescença, idosos e crianças. Alguns indivíduos podem ser alérgicos às sementes desta planta. O uso simultâneo de outros medicamentos pode levar a reações inesperadas. Não há estudos toxicológicos para estabelecer os possíveis efeitos colaterais no consumo de noz da índia por períodos prolongados de tempo.

Texto elaborado por: Dra. Tamara Mazaracki.

Título de Especialista em Nutrologia –  Associação Brasileira de Nutrologia;

Membro Titular da ABRAN – Associação Brasileira de Nutrologia;

Pós-graduação em Medicina Ortomolecular, Nutrição Celular e Longevidade – FACIS-IBEHE – Faculdade de Ciências da Saúde de São Paulo e Centro de Ensino Superior de Homeopatia;

Pós-graduação em Medicina Estética – Instituto Brasileiro de Pesquisa e Ensino – IBRAPE.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas:

*Nota: pesquisas sobre Aleurites moluccana na área medicinal são feitos com as folhas e as cascas da árvore. Os estudos com as sementes (nozes) e seu óleo mostram somente o uso industrial, como fonte de energia (biocombustível), no manejo de animais e no controle de pragas, como cupim.

*Clinical Toxicology 2009. Management of yellow oleander (Thevetia peruviana) poisoning.

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