segunda-feira, 22 de maio de 2017

Própolis



Por suas múltiplas propriedades medicinais o própolis tem sido usado há séculos pelos povos antigos, e a ciência está desvendando o seu enorme potencial na saúde humana e no tratamento de diversas doenças. Há quase 70.000 estudos sobre própolis e sua notável ação terapêutica: imunoestimulante, antioxidante, anticancerígeno, anti-inflamatório, anti-hiperglicêmico, antiviral, antifúngico e antibiótico.

O que é própolis?

Própolis é uma substância resinosa que as abelhas recolhem de troncos, brotos de árvores e de algumas plantas. As abelhas usam esta mistura de resina natural e enzimas de sua saliva para dar estrutura, fechar aberturas e rachaduras na colmeia, e também como agente desinfetante. O própolis é diretamente responsável por garantir a assepsia das colmeias, pois ele tem uma potente ação antimicrobiana que protege as abelhas de doenças.  Colmeias são locais propensos ao desenvolvimento de fungos, vírus e bactérias, dadas as suas condições de temperatura, umidade e superlotação. De forma mais comum esta substância resinosa tem cor marrom escura, porém pode ser encontrada em tons verdes, vermelhos, pretos e brancos, dependendo das fontes da resina coletada pelas abelhas. O própolis é composto de 50% de resina e bálsamo, 30% de cera, 10% de óleos essenciais e aromáticos, 5% de pólen e 5% de impurezas.

Própolis contém mais de 300 compostos químicos

Devido ao grande número de ingredientes ativos presentes, como flavonoides, ácidos fenólicos, terpenos e óleos essenciais, a tintura (extrato alcoólico) de própolis é utilizada principalmente pela ação estimulante sobre o sistema imunológico, responsável pela defesa do organismo. A composição do própolis varia de acordo com a área geográfica e os diferentes tipos de plantas das quais é recolhido, o que determina a cor da resina e as suas propriedades. Própolis verde, por exemplo, é rico em éster fenetílico do ácido cafeico, com potente ação anticancerígena; já própolis vermelho é rico em diversas isoflavonas e antocianinas, com ação anticancerígena (leucemia) e bactericida.

Muitas vitaminas e minerais

A pesquisa sobre a composição do própolis mostra que ele apresenta cerca de 60 minerais, incluindo cálcio, magnésio, ferro, zinco, sílica, potássio, fósforo, cobre, cobalto, bem como 16 aminoácidos. Ele também contém vitamina A (betacaroteno) e vitaminas B1, B2 e B3. 

Atividade antioxidante

Um estudo publicado no Journal of Agricultural and Food Chemistry  mostrou que própolis contém componentes flavonoides e polifenólicos, com grande atividade antioxidante.  Antioxidantes são necessários para combater a ação nociva dos radicais livres nas células, tecidos e órgãos, que podem provocar câncer e outras doenças degenerativas se não forem neutralizados. Além disso, os antioxidantes do própolis têm ação antienvelhecimento.

Reforço na imunidade

Estudos publicados em diversas revistas científicas evidenciam que o própolis contém proteínas e compostos com capacidade de alterar e regular o sistema imunológico, além dos benefícios antibacteriano e antiviral. O própolis ativa os passos iniciais da resposta imune estimulando receptores específicos e a produção de citocinas, um tipo de molécula que modula os mecanismos da imunidade. 



Antibiótico natural

O própolis tem sido utilizado por sua ação anti-séptica através dos séculos, por povos antigos como gregos, romanos e egípcios, que perceberam a sua capacidade de evitar infecções e acelerar a cicatrização de feridas. Vários estudos mostram que o própolis possui grande eficiência contra micro-organismos, devido a seus inúmeros ingredientes ativos, como ácidos fenólicos e terpenos, e um deles, publicado na revista Wound Repair and Regeneration, mostrou que a aplicação tópica de própolis em feridas infectadas acelerou significativamente a cicatrização. Estudos mostram também a sua ação na gripe, otites e infecções respiratórias.

Potente anti-inflamatório e cicatrizante

Diversas pesquisas mostram que o própolis verde brasileiro contém um componente chamado artepillin-C, com propriedade anti-inflamatória notável e que ajuda a curar feridas. Além de ingerido, ele pode ser aplicado topicamente, como um creme, para tratar diversas inflamações da pele. Os estudos comprovam que própolis é eficaz no tratamento de queimaduras de primeiro e segundo grau.

Ação anticancerígena

Como foi dito acima, o própolis contém mais de 300 compostos ativos. Dentre eles, muitos contribuem para combater o câncer por vários mecanismos: inibem o crescimento de novos vasos sanguíneos que alimentam as células cancerosas, impedem a propagação ou metástase do câncer de um órgão para outro, param a divisão celular característica do câncer e induzem a morte celular programada (apoptose). Além disso, o própolis atenua os efeitos colaterais ou toxicidade de drogas quimioterápicas utilizadas no tratamento do câncer. A literatura científica sobre própolis mostra a sua ação contra câncer no cérebro, pâncreas, cabeça e pescoço, rim, bexiga, pele, próstata, mama, cólon, fígado e sangue.

Saúde da boca e dentes

Estudos mostram que própolis pode ser eficaz no tratamento da periodontite e gengivite. A ação da resina limita a placa bacteriana e reduz a cárie dental. Algumas pesquisas mostram que o própolis pode auxiliar a regenerar a polpa dental bem como o tecido ósseo. Ele atua no controle da halitose e ajuda na cicatrização de aftas.

Como consumir

O própolis pode vir em diversas apresentações e concentrações: extrato, tintura e pó. Ele pode ser encontrado na forma de spray bucal, pastilhas, balas, suspensão, xaropes, cápsulas e gotas. O própolis também pode ser manipulado na forma de cremes, pomadas e loções, além de ser adicionado a diversos produtos cosméticos. A forma de tomar vai depender da formulação e do objetivo, mas de forma geral a indicação para manter a imunidade em dia é de 30 a 40 gotas dissolvidas em um pouco de água ou mel (siga as instruções da bula). Para outras indicações é importante ouvir a recomendação médica. Ele pode ser tomado por todas as pessoas, sem exagerar na dose. A única contraindicação é alergia ao produto.

Texto elaborado por: Dra. Tamara Mazaracki.

Título de Especialista em Nutrologia –  Associação Brasileira de Nutrologia;

Membro Titular da ABRAN – Associação Brasileira de Nutrologia;

Pós-graduação em Medicina Ortomolecular, Nutrição Celular e Longevidade – FACIS-IBEHE – Faculdade de Ciências da Saúde de São Paulo e Centro de Ensino Superior de Homeopatia;

Pós-graduação em Medicina Estética – Instituto Brasileiro de Pesquisa e Ensino – IBRAPE.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas:

*Chemistry and Physics of Lipids 2017. Biological properties of propolis extracts: Something new from an ancient product.

*Evidence-Based Complementary and Alternative Medicine 2015. Propolis: a complex natural product with a plethora of biological activities that can be explored for drug development.

*Burns & Trauma 2015. Propolis: a new frontier for wound healing?

*Evidence-Based Complementary and Alternative Medicine 2013. Propolis modifies collagen types I and III accumulation in the matrix of burnt tissue.

* British Journal of Medicine and Medical Research 2015. Use of Propolis in Cancer Research.

*BMC Complementary and Alternative Medicine 2015. Brazilian red propolis: phytochemical screening, antioxidant activity and effect against cancer cells.

*American Journal of Biochemistry & Biotechnology 2010. Apoptosis of human breast cancer cells induced by ethylacetate extracts of propolis.

*International Journal of Medicine and Medical Science 2010. Propolis and its potential uses in oral health. 
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