sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Câncer de Pele



        Não costumamos pensar na pele como um órgão, mas é isso o que ela é: o maior órgão do nosso corpo, responsável pela troca de calor e água com o ambiente, encarregado de proteger os órgãos internos contra bactérias e de captar e enviar para o cérebro informações sobre calor, frio, dor e tato. A pele tem três camadas, a epiderme (mais externa), a derme e o tecido subcutâneo, mais profundo.

            A epiderme é bem fina e, por sua vez, tem três camadas: a superior, formada por células chamadas queratinócitos, a média e a mais interna, formada pelas chamadas células basais.

            As células basais dão origem aos queratinócitos também chamadas células escamosas, que produzem queratina e impermeabilizam a pele e, aos melanócitos, células que produzem melanina, o pigmento marrom que dá cor à pele e cuja função é proteger as camadas mais profundas da pele contra os efeitos nocivos da radiação solar.

            Negros e brancos possuem a mesma quantidade de melanócitos, mas as pessoas de pele escura produzem mais melanina, especialmente uma chamada eumelanina, mais eficiente na proteção contra os raios ultravioletas (UV) do sol. É por isso que negros e afro-descendentes têm menor risco de desenvolver câncer de pele.

            A derme, a camada intermediária da pele, é mais espessa que a epiderme e abriga as glândulas sebáceas, folículos pilosos (as raízes dos pelos), vasos sanguíneos e nervos.

               O tecido subcutâneo às vezes chamado de hipoderme é responsável pela retenção do calor do corpo e funcionada como um “colchonete”, que absorve impactos e protege os órgãos internos contra choques e pancadas.

Tipos de Câncer de Pele

            O câncer de pele é o tipo de câncer mais comum e representa mais da metade dos diagnósticos de câncer. São estimados 181.430 novos casos no Brasil em 2016, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA).

            Há dois tipos de câncer de pele:

Não-melanomas: são tumores normalmente originados das células basais ou escamosas, que têm baixa letalidade e alto índice de sucesso no tratamento. Os não-melanomas representam 95% do total dos casos de câncer de pele e os dois tipos mais comuns são o basocelular (carcinoma de células basais) e o espinocelular (carcinoma de células escamosas).

Carcinoma Basocelular: tem origem nas células basais da epiderme e representam 75% dos casos de câncer de pele. É mais comum em pessoas de meia-idade e idosos e geralmente aparece em áreas muito expostas ao sol, como rosto e o pescoço. Como o hábito de tomar sol e ir à praia por longos períodos se popularizou nas últimas décadas, esse tipo de câncer tem aparecido em pessoas cada vez mais jovens. O carcinoma basocelular se desenvolve lentamente e dificilmente se espalha para outras áreas do corpo, mas exige tratamento mesmo assim. E, entre 35% e 50% das pessoas que tiveram esse câncer de pele vão ter outro num prazo de 5 anos após o diagnóstico. Isso significa que quem já teve câncer de pele tem de fazer um acompanhamento permanente.

Carcinoma Espinocelular: tem origem na camada mais externa da epiderme e responde por 20% do total de casos. Geralmente aparece no rosto, orelha, lábios, pescoço e no dorso da mão. Pode também surgir de cicatrizes antigas ou feridas crônicas da pele em qualquer parte do corpo e até nos órgãos genitais. Carcinomas espinocelulares têm risco maior que o basocelular de invadir o tecido gorduroso, atingir os linfonodos (gânglios linfáticos) e outros órgãos.

Melanomas: são originados nos melanócitos, células que produzem a melanina, pigmento que dá cor à pele. São tumores mais agressivos e potencialmente letais, especialmente quando há metástase para outros órgãos.

Diagnóstico

            Por ser um câncer que compromete inicialmente a pele, o diagnóstico precoce pode ser feito na maioria dos casos apenas com exame físico, dispensando a necessidade de exames sofisticados. O diagnóstico precoce é a chave para o tratamento de qualquer tipo de câncer, e também para o câncer de pele.

        O autoexame é fundamental para a prevenção e diagnóstico. A dica é simples: examinar o próprio corpo e ficar atento à regra ABCDE, que tem por objetivo facilitar a avaliação visual de lesões de pele e pintas e identificar eventuais sinais de câncer de pele. Com esse método, devem ser verificadas pintas que apresentam uma ou mais das características abaixo:

A – Assimetria: uma metade da pinta não se parece com a outra. A pinta benigna geralmente é simétrica;

B – Borda: irregular, mal definida;

C – Cor: vários tons de cor em uma mesma pinta. A lesão benigna geralmente tem apenas uma cor;

D – Diâmetro: pintas benignas geralmente medem menos que seis milímetros;

E – Evolução: modificação das características da pinta ao longo do tempo.

Prevenção

            Para se prevenir dos efeitos nocivos do sol somente com a ação dos protetores solares o indivíduo teria que passar 40 ml (um terço do frasco) no corpo inteiro 15 minutos antes de se expor ao sol. Só que ninguém faz isso porque você passa o protetor na família e o frasco termina num único dia. A solução, portanto, é que o indivíduo entenda que é preciso aliar bloqueador, roupas, óculos e chapéu, se quiser realmente se proteger.



              A principal recomendação é evitar a exposição aos raios ultravioleta excessiva, principalmente entre 10h e 16h. O uso de protetor solar é importante sempre, mas não se esqueça de evitar a exposição direta ao sol, usando chapéu, óculos, roupas protetoras e procurar a sombra de uma árvore ou guarda-sol.

Vitamina B3

A vitamina B3, também chamada de niacina (que inclui a amida correspondente, a nicotinamida), é uma das vitaminas do complexo B que participa de inúmeras reações bioquímicas, tem funções terapêuticas e também cosméticas. Você pode encontrá-la em uma grande variedade de alimentos e também como suplemento.
           
Um estudo publicado no The New England Journal of Medicine afirma que a nicotinamida (vitamina B3) tem mostrado efeitos protetores contra os danos causados pela radiação ultravioleta e reduzindo a taxa de câncer de pele em pacientes de alto risco. Segundo os pesquisadores, ao fim de 12 meses, os resultados mostraram que a nicotinamida oral era segura e eficaz na redução das taxas de câncer de pele.

De acordo com a DRIS (Dietary Reference Intakes), a recomendação para o consumo de niacina é de 16 mg/dia para homens adultos e de 14 mg/dia para mulheres adultas. Alguns alimentos que são boas fontes dessa vitamina são carnes, aves, peixes, fígado, leite, cereais, leguminosas e oleaginosas. 




As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizada única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas:

Alimentos que contêm vitamina B3, que previne câncer de pele. Disponível em: www.vencerocancer.com.br Acessado em: 08/12/2015.

Chen, AC. et al. A Phase 3 Randomized Trial of Nicotinamide for Skin-Cancer Chemoprevention. N Engl J Med 2015; vol.373, p: 1618-1626.

Conte, J. Usar somente protetor solar não previne câncer de pele. Vencer o Câncer. Disponível em: www.vencerocancer.com.br Acessado em: 08/12/2015.

Pele Não Melanoma. A.C.Camargo Cancer Center. Disponível em: www.accarmago.org.br Acessado em: 08/12/2015.
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