terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Dia Mundial de Luta Contra a AIDS




           Estima-se que há 34 milhões de pessoas vivendo com HIV/AIDS em todo mundo, sendo que em 2011, houve 2,5 milhões de novas infecções. Segundo o Ministério da Saúde, no Brasil existiam 656.701 casos de AIDS notificados até o mês de junho de 2012.

            Nota-se que, a partir de 1995, houve um importante aumento na sobrevida de pessoas com HIV/AIDS. Do mesmo modo, ocorreu a diminuição das taxas de morbidade e mortalidade. Esses acontecimentos foram possíveis, porque na mesma data o Ministério da Saúde iniciou a distribuição universal e gratuita dos medicamentos antirretrovirais de alta atividade, que associa os inibidores da protease (IP) e os inibidores da transcriptase reversa.

            Os fármacos antirretrovirais aumentaram o tempo de sobrevivência de pessoas vivendo com HIV/AIDS, diminuindo a incidência de infecções respiratórias, controle da replicação viral e da síndrome consumptiva, porém, o seu uso a longo prazo trouxe efeitos colaterais, como anemia, vômitos, diarreia, náuseas, diabetes mellitus, resistência à insulina, dislipidemias, diminuição do colesterol (HDL), lipodistrofia, síndrome metabólica, obesidade e risco aumentado para doenças cardiovasculares.

            A manutenção de um consumo alimentar e nutricional adequado às necessidades energéticas, de macronutrientes (carboidrato, proteína e lipídio) e de micronutrientes (vitaminas e minerais), contribui para a melhora dos níveis de T CD4, a absorção intestinal e ameniza todas as outras intercorrências causadas pelo tratamento. Em função disso, pode contribuir para a diminuição da progressão da doença.

Desnutrição

            A infecção por HIV pode causar desnutrição por uma variedade de mecanismos, como invasão das células gliais do sistema nervoso central, levando a demência ou a neuropatia. Estas interferem com a ingestão alimentar via anorexia e disfagia. Podem também ocorrer lesões anatômicas, como monilíase oral, que dificulta a mastigação, além de esofagites ou monilíase esofágica e, ainda pode haver infecção da mucosa intestinal causada por agentes oportunistas, como E. coli e C difficile, diminuindo a absorção de nutrientes e provocando diarreia. A ocorrência de múltiplas infecções oportunistas conduz à rápida depleção nutricional, por aumentar as necessidades metabólicas, concomitantemente à redução da ingestão alimentar por anorexia e disfagia, além da má absorção intestinal.

        A desnutrição em pacientes com AIDS, conhecida como Wasting Syndrome (Síndrome Consumptiva), é caracterizada pela perda de peso involuntária maior que 10%. Em geral, está associada à febre documentada por mais de 30 dias, fraqueza e diarreia (> 2 evacuações/dia por mais que 30 dias). Há associação com aumento da morbidade e da mortalidade e, maior susceptibilidade a infecções oportunistas e tumores.

Avaliação Nutricional

          Na avaliação nutricional é importante distinguir a lipodistrofia (alterações na distribuição da gordura corporal) da Síndrome Consumptiva e ambas podem estar combinadas. Para o diagnóstico da lipodistrofia consideram-se fatores físicos: lipoatrofia na região da face, dos membros superiores e inferiores e uma proeminência das veias superficiais associadas ou não ao acúmulo de gorduras na região do abdome, da região cervical e da mamas. Fatores metabólicos: aumento sérico de lipídios, intolerância à glicose, aumento da resistência periférica à insulina e diabetes mellitus, associados ou não às alterações anatômicas.

          A massa celular corporal é o principal compartimento da composição corporal alterado em pessoas com HIV/AIDS, mesmo em uso de inibidores de protease. A depleção grave da massa celular corporal é fator capaz de predizer mortalidade, independente do peso corporal, do CD4 e da carga viral. A massa celular corporal pode ser estimada pela impedância bioelétrica. O ângulo de fase, estimado pela impedância bioelétrica, reflete alterações da condutibilidade da corrente elétrica no corpo. Tais alterações indicam mudanças na integridade da membrana celular, da função e da composição específica, incluindo modificações no espaço intracelular. O ângulo de fase, a massa celular corporal e a sua relação com o meio extracelular são marcadores independentes de prognóstico em pacientes com HIV/AIDS. O valor de ângulo de fase alto, em pacientes que estavam recebendo potente terapia antirretroviral (HAART), foi associado com baixo risco de mortalidade, quando ajustado com a carga viral e a contagem de CD4.

As medidas da Prega Cutânea do Tríceps e da Circunferência do Braço frequentemente evidenciam déficit severo da reserva adiposa em relação ao padrão para o sexo e idade nestes pacientes. A área muscular do braço diminuída indica degradação da proteína muscular, que ocorre juntamente com a depleção de potássio.

O método prático mais atual para avaliação da redistribuição de gordura é a medida das circunferências de cintura e quadril, com cálculo da razão cintura-quadril, considerando-se que valores acima de 0,85 para mulheres e acima de 0,95 para homens podem ser indicativos de lipodistrofia e taxas maiores aumentam o risco para diabetes e doença cardiovascular.

            Incluir o mínimo de testes bioquímicos como albumina, contagem total de linfócitos, CD4, CD8, carga viral, dosagem de testosterona, avaliação das funções renal e hepática, concentração sérica de eletrólitos, zinco, selênio, vitamina A e vitamina B12 estão associados com a progressão da doença.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas:

Barbosa, RMR; Fornés, NS. Avaliação nutricional em pacientes infectados pelo Vírus da Imunodeficiência Adquirida. Rev. Nutr 2003, v.16, n.4, p.461-470.

Coppini, LZC; Jesus, RP. Terapia nutricional na Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (HIV/AIDS). Projeto Diretrizes -Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina.

Curti, MLR; Almeida, LB; Jaime, PC. Evolução de parâmetros antropométricos em portadores do vírus da Imunodeficiência Humana ou com Síndrome da Imunodeficiência Adquirida: um estudo prospectivo. Rev Nutr. 2010, v.23, n.1, p.57-64.

Simonelli, CG; Silva, RC. Avaliação nutricional de pacientes vivendo com HIV/AIDS. Rev Bras Nutr Clin 2014; v.29, n.2, p. 159-165.
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