domingo, 23 de outubro de 2016

Intestino Preso



A constipação intestinal também conhecida popularmente como “prisão de ventre” é um problema frequente na população. A constipação intestinal popularmente é associada à frequência de evacuação, mas pode ser definida nas seguintes situações:

● Esforço para defecar em mais de 25% das evacuações;
● Fezes endurecidas ou em sibilos em mais de 25% das evacuações;
● Sensação de evacuação incompleta em mais de 25% das evacuações;
● Sensação de obstrução/bloqueio fecal em mais de 25% das evacuações;
● Realização de manobras para facilitar a evacuação em mais de 25% das evacuações;
● Menos de 3 evacuações por semana.

A constipação pode ser classificada em funcional, quando não existe uma patologia no intestino que justifique a constipação, ou orgânica, quando existe uma patologia no intestino que justifique a constipação.

A etiologia (origem) da constipação funcional está relacionada à dieta pobre em fibras ou líquidos, falta de atividade física, uso de laxantes, estresse, envelhecimento, gravidez e inibição do reflexo defecatório, não estando associada a nenhum processo patológico instalado.

Já a etiologia da constipação orgânica está relacionada a doenças endócrinas, como o diabetes melito e o hipotireoidismo; doenças neurológicas, como o mal de Parkinson; doenças vasculares do intestino; doenças intestinais, como colite; doença celíaca; úlcera duodenal, câncer; distúrbios psicológicos, como a depressão; ansiedade e uso de medicamentos, como os anti-hipertensivos. Ao longo dos anos, a constipação pode levar a patologias como hemorroida e doença diverticular.

É prevalente entre as mulheres, 3 vezes mais comum do que em homens, sem que haja explicação para isso. A população idosa também é mais suscetível, podendo estar associado a menor ingestão alimentar, menor motilidade e prática de atividades físicas, fraqueza nos músculos da região pélvica e abdominal, bem como o uso de medicações como os antagonistas do cálcio de ação cardiovascular ou uso de antiácidos contendo alumínio. É também mais comum em famílias de baixa renda e baixo nível educacional.

Os índices em crianças e adolescentes também vêm crescendo. Alguns estudos apontam que os distúrbios intestinais são os mais frequentes e persistentes na infância. Na grande maioria das crianças, cerca de 90 a 95% a origem da constipação intestinal é funcional, iniciando-se no desmame. Em geral nesta etapa da infância há a introdução de alimentos com baixo teor de fibras aliado ao pequeno consumo de líquidos.

Quanto aos adolescentes os maus hábitos alimentares aliados ao sedentarismo são as principais razões para os sintomas de constipação, os quais persistem na vida adulta e podem inclusive induzirem ao câncer de cólon.

O tratamento para a constipação intestinal envolve a mudança de hábitos alimentares e a realização de atividade física. O tratamento dietoterápico visa restabelecer o trânsito intestinal e promover a educação nutricional, com uma dieta rica em fibras alimentares e líquidos, principalmente na forma de água.

Papel da Alimentação na Constipação

Um dos primeiros estudos a respeito do papel das fibras na alimentação, realizado em 1972, demonstrou que o maior consumo de fibras ocasiona um aumento do fluxo intestinal, bem como, no volume das fezes. Isto porque, as fibras ao não serem digeridas e nem absorvidas pelo organismo, aumentam a quantidade de resíduos no intestino, e consequentemente o volume do bolo fecal; e como essas fibras têm a capacidade de absorver água, as fezes ficam mais macias e a movimentação intestinal fica facilitada.

Além do efeito direto, fibras também exercem efeitos prebióticos, isto é, mantêm a saúde do intestino através do bom funcionamento da flora intestinal. Através da fermentação ocorrida no cólon (parte superior do intestino), as fibras selecionam e promovem o crescimento das bactérias benéficas que habitam a microbiota intestinal humana, em retorno as bactérias produzem metabólitos que auxiliam o funcionamento intestinal.

Seguem algumas dicas:

Na medida certa: De acordo com o National Cancer Institute, dos Estados Unidos, a quantidade ideal de fibras fica entre 20 a 35g por dia, ou o equivalente a até 2,5g a cada 100 calorias. Além disso, para equilibrar o consumo e garantir os benefícios, deve-se prestar atenção a certas peculiaridades das fibras:

Existem dois tipos: As solúveis absorvem mais água e atuam no controle do colesterol; as insolúveis são eficazes para fazer o intestino funcionar. Frutas, vegetais, cereais e leguminosas concentram mais as fibras solúveis. Já arroz, oleaginosas, pão e biscoitos integrais são boas fontes de insolúveis. 



Precisam de água para agir: Como as fibras não são digeridas e nem absorvidas pelo organismo, elas aumentam a quantidade de resíduos no intestino e precisam de mais água para tornar as fezes macias e facilitar a movimentação intestinal. Portanto, se aumentar o consumo de fibras, é imprescindível beber mais água.

São melhores cruas: O cozimento de verduras e legumes, por exemplo, faz com que os alimentos percam boa quantidade das fibras. Pelo mesmo motivo, o mais recomendado é ingerir os vegetais com a casca.

Não têm efeito cumulativo: O único modo de garantir a presença de fibras na dieta é consumi-las em todas as refeições, todo santo dia.

Alimentos com maior concentração de fibras:

½ xícara (chá) de feijão = 7,5g;
1 xícara (chá) de couve-de-bruxelas = 6,5g;
1 xícara (chá) de berinjela cozida = 6,2g;
1 manga = 6,0g;
½ xícara (chá) de grão-de-bico cozido = 5,5g;
1 cenoura cozida = 5,5g;
1 xícara (chá) de abóbora cozida = 5,5g;
1 laranja = 4,5g;
1 batata doce assada = 4,5g;
1 xícara (chá) de brócolis cozido = 4,5g;
1 xícara (chá) de espinafre = 4,2g;
1 espiga de milho verde = 4,0g;
1 xícara (chá) de morango = 4,0g;
1 xícara (chá) de arroz integral cozido = 3,5g;
1 xícara (chá) de couve-flor cozida = 3,5g;
1 beterraba cozida = 2,5g;
1 xícara (chá) de agrião cozido = 2,5g;
1 fatia de pão de trigo integral = 2,0g;
1 banana = 2,0g;
1 batata média = 1,5g

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas:

Biazotto, FO. Intestino preso: aprenda a lidar com essa casa de máquinas. Grupo de Estudos em Alimentos Funcionais – GEAF, ESALQ/USP. Disponível em: www.grupoalimentosfuncionais.blogspot.com.br

Martins, BT; Basílio, MC; Silva, MA. Nutrição aplicada e alimentação saudável. 1. ed. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2014.


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