quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Vitamina B6 (Piridoxina)



    A vitamina B6 é reconhecida por sua importância em várias reações metabólicas. Existem três formas diferentes da vitamina B6: a piridoxina (PN), a piridoxamina (PM) e o piridoxal (PL). O piridoxal 5’ fosfato (PLP) e a piridoxamina 5’ fosfato (PMP) são as formas ativas das coenzimas, e o primeiro é a forma de maior interesse biológico. O PLP atua como coenzima para mais de 100 enzimas e por isso está relacionado, de uma maneira geral, ao metabolismo de aminoácidos, à síntese do heme, à transulfuração da homocisteína em cisteína, à gliconeogênese, à síntese de neurotransmissores (como a serotonina, a taurina, a dopamina, a norepinefrina e a histamina), ao desenvolvimento do sistema nervoso central, à integridade do sistema imune e também ao metabolismo de hormônios esteroides.

            Por difusão passiva, as três formas de vitamina B6 são rapidamente absorvidas pelo intestino delgado, especialmente no jejuno. A vitamina B6 é sintetizada pelos micro-organismos da flora intestinal, mas não há evidência de absorção efetiva por essa fonte. A concentração sanguínea é de cerca de 6µg/dL, estando ligada à albumina plasmática ou à hemoglobina dos eritrócitos. No fígado, as formas não fosforiladas são convertidas naquelas metabolicamente ativas. O armazenamento da vitamina ocorre no tecido muscular, ligado ao glicogênio. A via urinária é a principal forma de excreção da piridoxina, especialmente como ácido 4-piridóxido, formado pela ação da aldeído-oxidase hepática em piridoxal livre.

Fontes Alimentares e Recomendações Nutricionais

            As três formas da vitamina estão amplamente presentes em alimentos de origem animal e vegetal, ligadas às proteínas. A piridoxina encontra-se especialmente nas plantas, enquanto o piridoxal e a piridoxamina são mais encontrados nos produtos de origem animal. Na fortificação dos alimentos, suplementos nutricionais e produtos farmacológicos, a forma mais utilizada é o hidrocloreto de piridoxina.

            Os principais alimentos ricos em vitamina B6 são a levedura de cerveja, o fígado e outras vísceras, carne de galinha, cereais integrais, soja e castanhas. Leite, ovos e frutas são fontes com concentrações relativamente baixas. A piridoxina é sensível à oxidação, à radiação ultravioleta, ao aquecimento e ao cozimento. O congelamento de vegetais causa uma redução de até 35%, e a moagem de cereais reduz em 70% a 90% a biodisponibilidade da vitamina. As perdas decorrentes do cozimento e processamento de alimentos podem alcançar os 40% no teor da vitamina B6 nos alimentos.

Quadro 1. Conteúdo de vitamina B6 em alimentos considerados fonte.

Alimento
Medida usual
Quantidade (g)
B6 (mg)
Fígado cozido
1 unidade
100
1,00
Peito de frango sem pele
1 unidade
100
0,60
Peito de peru assado
1 filé
100
0,50
Atum enlatado em óleo
2 ½ colheres de sopa
112,5
0,45
Bacalhau cozido
1 pedaço
135
0,40
Salmão cozido
2 filés
200
0,40
Carne moída (20% gordura)
3 ½ colheres de sopa
63
0,25
Lentilha cozida
2 colheres de sopa
48
0,09
Feijão preto cozido
1 concha rasa
80
0,08
Soja cozida
1 ½ colher de sopa
36
0,07
Iogurte desnatado
1 ½ copo
330
0,33
Batata inglesa cozida
1 ½ unidade
202,5
0,60
Arroz integral cozido
6 colheres de sopa
198
0,30
Arroz branco
4 colheres de sopa
125
0,25
Banana
1 unidade
86
0,30
Espinafre cozido
2 ½ colheres de sopa
67
0,13
Brócolis cozido
4 ½ colheres de sopa
60
0,12
Alface
15 folhas
120
0,10
Fonte: Philippi, ST.2008

            Por ser utilizada no metabolismo dos aminoácidos, a necessidade de vitamina B6 do organismo depende da ingestão proteica, sendo estimada em cerca de 0,016mg de piridoxina por grama de proteína ingerida.

            Ocorre aumento da necessidade da vitamina B6 com a ingestão excessiva de proteínas, com o exercício, diálise, gravidez e administração continuada de estrogênios. Os hormônios femininos estão implicados na inibição da atividade da piridoxina no metabolismo do triptofano. O consumo abusivo de álcool aumenta as necessidades da vitamina, pois o acetaldeído (metabólito ativo do etanol) favorece a degradação da piridoxina. Assim, os grupos de risco para a deficiência são os portadores de síndrome disabsortiva, alcoolistas, idosos com baixa ingestão alimentar e pessoas que fazem uso crônico de drogas com efeito antagonista à piridoxina. As drogas mais relacionadas com o antagonismo são a isoniazida, penicilamina, hidralazina, cicloserina e as tiazolidonas. Essas drogas formam complexos com a fração aldeído da vitamina, inibindo sua função.

Quadro 2. Ingestões de referência da vitamina B6.

Estágio da vida
EAR (mg/dia)
* AI/RDA (mg/dia)
UL (mg/dia)
Recém-nascidos



0-6 meses
-
0,1*
-
7-12 meses
-
0,3*
-
Crianças



1-3 anos
0,4
0,5
30
4-8 anos
0,5
0,6
40
Homens



9-13 anos
0,8
1,0
60
14-18 anos
1,1
1,3
80
19-30 anos
1,1
1,3
100
31-50 anos
1,1
1,3
100
51-70 anos
1,4
1,7
100
> 70 anos
1,4
1,7
100
Mulheres



9-13 anos
0,8
1,0
60
14-18 anos
1,0
1,2
80
19-30 anos
1,1
1,3
100
31-50 anos
1,1
1,3
100
51-70 anos
1,3
1,5
100
> 70 anos
1,3
1,5
100
Gravidez



≤ 18 anos
1,6
1,9
80
19-50 anos
1,6
1,9
100
Lactação



≤ 18 anos
1,7
2,0
80
19-50 anos
1,7
2,0
100
*EAR (Necessidade Média Estimada); RDA (Quota Diária Recomendada); AI (Ingestão Adequada); UL (Limite Superior Tolerável de Ingestão).
Fonte: IOM (1998)/Cozzolino, 2005.

Deficiência em Vitamina B6

            Por ser amplamente distribuída na alimentação, a deficiência de vitamina B6 é rara. Entretanto, os principais sintomas que ocorrem nessa condição são dermatite seborréica, anemia microcítica, convulsões epiléticas, depressão e confusão mental. Considerando o consumo da vitamina B6 a partir de fontes alimentares, não há evidências de efeitos tóxicos.



As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizada única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas:

Cominetti, C; Cozzolino, SMF. Vitamina B6 (Piridoxina). In: Cozzolino, SMF. Biodisponibilidade de nutrientes. 1. ed. Barueri, SP: Manole, 2005.

Cozzolino, SMF; Cominetti, C; Bortoli, MC. Grupo das Carnes e Ovos. In: Philippi, ST. Pirâmide dos Alimentos: fundamentos básicos da nutrição. 1. ed. Barueri, São Paulo: Manole, 2008.

Vannucchi, H.; Cunha, SFC. Vitaminas do Complexo B. International Life Sciences Institute – ILSI, 2009.
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