domingo, 1 de maio de 2016

Açúcar ou Adoçante?



O excesso de açúcar engorda, causa diabetes e altera o colesterol, porém muitas pessoas estão acostumadas ao doce sabor e não querem abrir mão de alimentos açucarados. Aí surgiram os adoçantes, produtos químicos artificiais que imitam o sabor do açúcar. Os adoçantes estimulam os receptores de sabor doce na língua, do mesmo jeito que o açúcar, só que sem as suas calorias.  Este é o melhor dos mundos para uma humanidade que luta contra a obesidade crescente. Mas será mesmo?

Adoçante é saudável?

Adoçante artificial parece ser um bom produto para quem quer emagrecer e para quem têm restrição ao consumo de açúcar, como diabéticos. No entanto, adoçantes apresentam efeitos negativos para a saúde e bem-estar, e podem ser mais danosos do que o consumo moderado de açúcar natural.  Os adoçantes artificiais têm sido relacionados com doenças graves em estudos feitos em laboratório, e em testes realizados com animais e humanos. Os estudos são conflitantes, as opiniões de especialistas divergem, porém a quantidade de efeitos adversos reportados deve acender uma luz de alerta.

Diet, light e zero

A oferta de produtos diet, light e zero é imensa: refrigerantes, sucos, refrescos, águas com sabor, mate, chá gelado, iogurtes, bebidas lácteas, leites de soja, barras de cereais e de proteínas, gelatinas, pudins, mousses, bolos, balas, chicletes, chocolates, em medicamentos, em suplementos como whey protein, colágeno, pré e pós-treino. Para adoçar o cafezinho e outras bebidas os adoçantes vêm em gotas e sachês. Também podem vir em embalagens maiores para uso culinário e até existe o “açúcar magro”, uma mistura de açúcar e adoçante.

Adoçante engorda?

As pesquisas mostram que o uso excessivo de adoçantes aumenta o desejo por doces e carboidratos. Quando se consome o alimento ou bebida com adoçante, o corpo registra o sabor ultradoce na boca e entende que irá entrar energia (açúcar), porém esta energia não chega às células. Isto desencadeia uma necessidade por carboidratos comandada pelo cérebro. Assim, por mecanismos bioquímicos, surge a vontade de comer massas, pães e doces porque as células, estimuladas pelo sabor doce nas papilas gustativas, demandam a energia que vem destes alimentos. De modo geral, as pessoas que consomem tudo light ou zero têm uma grande dificuldade de perder peso, até porque existe a tendência a exagerar na dose, ou seja, se o refrigerante é zero pode tomar o litro todo, repetir a sobremesa, e assim por diante – afinal é diet.

Ânsia por açúcar

Um estudo publicado no Journal of Biology and Medicine 2010, investiga a neurobiologia da ânsia pelo açúcar e resume a evidência sobre o efeito de adoçantes artificiais no organismo: eles não ativam as vias de recompensa do alimento da mesma forma como adoçantes naturais (açúcar, mel, frutas), precisamente porque são muito doces, e assim incentivam a dependência e o desejo constante pelo açúcar.

Adoçante causa inflamação?

Outro fator a ser considerado, é que o consumo exagerado de adoçantes sintéticos tem uma ação pró-inflamatória no organismo. Adoçantes estimulam a adipogênese (produção de gordura pelo corpo) e suprimem a lipólise (destruição de células de gordura).  A obesidade é uma doença inflamatória e a ingestão excessiva de produtos industrializados, incluindo os adoçantes artificiais, colabora para a alteração do metabolismo e possível ganho de peso. 

Sucralose causa diabetes?

A sucralose está sob suspeita. Um estudo publicado no Diabetes Care 2013, mostrou que este adoçante altera a resposta glicêmica e a resistência insulínica em seres humanos, dois fatores que levam ao diabetes. De acordo com o estudo, o consumo diário de refrigerante diet foi associado a um risco 67 % maior de se desenvolver o diabetes tipo 2. A sucralose altera a flora bacteriana e a saúde gastrointestinal, e está ligada ao aumento da ocorrência de doenças inflamatórias do cólon, como colite e síndrome do intestino irritável. E também pode ser a responsável por surtos de enxaqueca em pessoas sensíveis.

Aspartame na berlinda

O aspartame é o aditivo alimentar que mais causa alterações negativas (75% das reações relatadas ao FDA americano). Dentre elas estão alergia, dor de cabeça, enxaqueca, tontura, náusea, formigamento, espasmos musculares, ganho de peso, manifestações cutâneas, depressão, fadiga, irritabilidade, taquicardia, insônia, dificuldades respiratórias, ansiedade, perda do paladar e dor em articulações.

Adoçante versus açúcar

Uma pesquisa publicada na revista Trends in Endocrinology & Metabolism 2013, destaca o fato de que quem toma refrigerante diet sofre os mesmos problemas de saúde daqueles que tomam refrigerante regular (com açúcar), tais como ganho de peso excessivo, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e derrame. Os pesquisadores especulam que o consumo frequente de adoçantes artificiais pode trazer transtornos metabólicos sérios. A alteração da microflora intestinal é um dos muitos mecanismos pelos quais os adoçantes artificiais causam obesidade e diabetes.

Adoçantes naturais

Há adoçantes naturais no mercado, como stevia (extraída das folhas da Stevia rebaudiana), taumatina (obtida a partir do fruto Thaumatococcus daniellii) e poliois, um grupo de carboidratos com baixa caloria, baixo índice glicêmico e pouco absorvidos pelo processo digestivo (eritritol, sorbitol, xilitol, maltitol e outros). Estes adoçantes podem ser usados com moderação, pelo menos por enquanto. Pode ser que depois a ciência e os estudos mudem este conceito. 

Doce real

E o açúcar de cana? Evite o refinado, melhor usar um açúcar orgânico do que qualquer adoçante artificial. Prefira o demerara, mascavo ou cristal, menos processados. O açúcar de coco tem menor carga glicêmica e pode ser uma boa opção. Mel de boa qualidade contém enzimas e antioxidantes diversos. O melaço de cana é fonte de cálcio, magnésio e ferro. O mais importante é usar a menor quantidade possível, e se necessário. Aprenda a perceber o sabor natural dos alimentos. Não adoce o seu suco, se ele for azedo acrescente um pouco de uva-passa ou uma fatia de alguma fruta doce. Aprenda a tomar chá, mate e café sem açúcar. Só dói (pouco) nos primeiros dias, depois você se acostuma e vai até apreciar.




Texto elaborado por: Dra. Tamara Mazaracki. 

Título de Especialista em Nutrologia –  Associação Brasileira de Nutrologia;

Membro Titular da ABRAN – Associação Brasileira de Nutrologia 

Pós-graduação em Medicina Ortomolecular, Nutrição Celular e Longevidade – FACIS-IBEHE – Faculdade de Ciências da Saúde de São Paulo e Centro de Ensino Superior de Homeopatia;

Pós-graduação em Medicina Estética – Instituto Brasileiro de Pesquisa e Ensino – IBRAPE.
                       
As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizada única e exclusivamente, para seu conhecimento.



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