quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Doença Renal Crônica: Paciente em Tratamento Conservador



A Doença Renal Crônica, por muito tempo chamada de insuficiência renal crônica, é definida como uma síndrome clínica, caracterizada por perda lenta, progressiva e irreversível das funções renais.

Vários fatores podem levar a doença renal crônica e sabe-se que uma vez instalada ela leva a perda progressiva do funcionamento dos rins, até a necessidade de realizar diálise.

As principais causas da doença renal crônica incluem a hipertensão arterial, o diabete melito e as glomerulonefrites. Já as causas menos frequentes compreendem os rins policísticos, as pielonefrites, o lúpus eritematoso sistêmico e as doenças congênitas. A perda de função renal leva a uma série de distúrbios, resultantes da concentração inadequada de solutos, do acúmulo de substâncias tóxicas não eliminadas pela urina e da deficiência na produção de hormônios específicos. 



A fase que antecede a diálise é chamada de tratamento conservador (compreende os estágios de 1 a 4 da doença renal crônica) e tem como objetivos retardar a progressão da doença, tratar as complicações decorrentes da perda de função renal e preparar o paciente para o início da terapia dialítica. O envolvimento de uma equipe multidisciplinar é primordial para o sucesso desse tratamento e inclui a participação de clínico, nefrologista, nutricionista, enfermeiro, psicólogo e assistente social.

Quadro 1. Estadiamento da Doença Renal Crônica (DRC).

Estágio
Classificação
TFG (mL/min/1,73m²)
0
Sem lesão renal – grupos de risco para DRC
≥ 90
1
Lesão renal, com TFG normal ou aumentada
≥ 90
2
Lesão renal com ↓ leve da TFG
89 a 60
3
Lesão renal com ↓ moderada da TFG
59 a 30
4
Lesão renal com ↓ grave da TFG
29 a 15
5
Insuficiência renal terminal ou fase dialítica
< 15
TFG = Taxa de filtração glomerular.

Pacientes com taxa de filtração glomerular > 60ml/minuto, geralmente não necessitam de orientações específicas quanto à alimentação, salvo àquelas que são preconizadas para se ter uma vida saudável.

Todo paciente que apresente taxa de filtração glomerular < 60ml/minuto, deve fazer um acompanhamento ambulatorial com profissional nutricionista, a fim de receber orientações e acompanhar a sua evolução clínica. Nessa fase, existem orientações específicas quanto à alimentação, especialmente no que tange à qualidade da ingestão proteica, com restrição parcial de alguns alimentos ricos em fósforo e potássio. Os valores de fósforo, potássio e paratormônio podem estar limítrofes ou pouco aumentados, de acordo com o caso específico. Os objetivos nessa fase são: minimizar sintomas urêmicos, tais como náuseas, fraqueza e perda do apetite; retardar a progressão da doença e manter o estado nutricional até a necessidade de iniciar o programa regular de diálise, se assim for necessário.

A dieta para esse tratamento é baseada na restrição de proteínas da alimentação e existem dois tipos desse regime. O primeiro trata-se de uma dieta convencional restrita em proteínas onde se reduz pela metade o consumo principalmente de leite, seus derivados e carnes. O segundo regime é uma dieta muito restrita em proteínas suplementada com aminoácidos essenciais e cetoácidos e praticamente se elimina os alimentos de origem animal como carnes em geral (vermelha e branca), ovos e laticínios. Outros alimentos que não são de origem animal, mas que contém proteínas e devem ter ingestão reduzida são os pães, biscoitos, massas e o arroz. Em troca da ingestão de proteínas de origem animal o paciente ingere os comprimidos dos aminoácidos e cetoácidos que o nutricionista calculou. A cetodieta, como é chamada, reduz as toxinas do sangue onde os rins não conseguem mais eliminar e retarda a progressão da doença renal e consequentemente a entrada em diálise. 



Mas vale ressaltar que qualquer tipo de dieta só pode ser calculada e orientada por um nutricionista.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas:

Avesani, CM; Pereira, AML; Cuppari, L. Doença Renal Crônica. In: Cuppari, L. Nutrição: nas doenças crônicas não transmissíveis. 1 ed. Barueri, SP: Manole, 2009.

Pacientes em Tratamento Conservador. Sociedade Brasileira de Nefrologia. Disponível em: www.sbn.org.br Acessado em: 21/11/2016.
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