domingo, 27 de março de 2016

Alimentos Transgênicos



Os organismos geneticamente modificados (OGM), também chamados de transgênicos, são definidos como todo material biológico cujo código genético foi alterado por meio de técnicas de laboratório, de uma maneira que não ocorreria naturalmente. 

No caso dos alimentos modificados geneticamente, podem ser inseridos genes provenientes de outros seres vivos. Esse procedimento pode ser feito até mesmo entre organismos de espécies diferentes, como por exemplo, inclusão de um gene de um vírus em uma planta. Esta técnica pode ser realizada com plantas, animais e micro-organismos.

Entre os alimentos transgênicos, o exemplo mais comum é o do milho que recebe o gene de uma bactéria para produzir uma substância que destrói o sistema digestivo de uma praga de inseto, evitando, assim, o uso de agrotóxicos.

Essas modificações começaram a ser feitas pelo Homem desde o início da agricultura: há dez mil anos atrás as populações existentes utilizavam métodos empíricos para melhorar geneticamente as plantações. Esses estudos foram evoluindo ao longo dos anos até que o homem conseguiu descobrir novas regras genéticas. Com essas descobertas começaram a utilizar métodos racionais de melhoramento genético e não mais empíricos.

Recentemente, foi aprovado um projeto de lei que acaba com a exigência do símbolo da transgenia nos rótulos dos produtos OGM. Este projeto de lei tira o direito do consumidor de saber se o alimento que ele consome é transgênico ou não. Mesmo que essa informação esteja escrita de outra forma, não se sabe a determinação do tamanho da letra, e o símbolo garantiria maior visualização e compreensão sobre o produto. Sem contar que, na prática, a informação provavelmente vai estar do tamanho de letra de bula de remédio, e com certeza, o consumidor vai consumir transgênico sem saber. 

Do outro lado, nos alimentos que não são OGM, a lei permite o uso da rotulagem “livre de transgênicos”. A descrição desse texto no rótulo continua a exigir a comprovação de total ausência de transgênicos por meio de análise em laboratório, o que pode dificultar para os pequenos agricultores, que teriam de pagar a análise para poder usar a expressão.

Recentemente uma pesquisa realizada por cientistas e estudantes da Universidade de Caen, na França, divulgou resultados alarmantes, que trouxeram à tona a discussão sobre os possíveis efeitos dos OGM. Neste estudo os ratos alimentados com alimentos transgênicos morreram antes do previsto e desenvolveram câncer com mais frequência do que os outros animais da espécie. O estudo mencionado comprovou uma mortalidade duas ou três vezes maior entre as fêmeas tratadas com organismos geneticamente modificados.

Para facilitar a identificação dos alimentos OGM, nós listamos alguns produtos que provavelmente contêm elementos transgênicos:

Aspartame: o aspartame é feito a partir de três ingredientes: aspartate, fenilanina e mentol. Os três são conhecidos por serem transgênicos. E, o aspartame não está apenas no adoçante isolado, também está presente em refrigerantes e sobremesas diet.

● Óleo de Canola: nem todos sabem, mas a canola não é uma planta. Canola é uma abreviação das iniciais de Canadian Oil Low Acid (Óleo canadense de baixa acidez) e ela é feita a partir de uma variedade de uma planta chamada Olza. Esta foi fertilizada de maneira cruzada por cientistas, até que chegassem em uma versão da semente que não fosse tóxica. Hoje em dia, cerca de 80% da planta Olza nos Estados Unidos para uso alimentar é transgênica, para se tornar mais resistentes aos pesticidas.

Milho, amido de milho, xarope de milho: 85% do milho produzido no Brasil e nos EUA é transgênicos. O problema é que os derivados do grão, como o amido de milho e o xarope de milho estão presentes em quase todos os alimentos processados que você encontra no supermercado.

● Margarina: a maioria é feita de canola geneticamente modificada.

● Leite: o gado leiteiro é alimentado, geralmente, com farelo de soja – proveniente de uma variedade geneticamente modificada do grão. Além disso, fazendeiros injetam no gado um hormônio de crescimento transgênico, que aumenta a produção de leite.

● Salsicha: além da carne processada, a salsicha contém na mistura o amido de milho sobre o qual falamos aqui em cima.

● Soja e lecitina: no Brasil, 92,4% das lavouras de soja são plantadas com sementes transgênicas. A soja geneticamente modificada já foi ligada a uma série de problemas de saúde. A lecitina é um espessante feito a partir de soja presente em muitos produtos industrializados que você consome no dia a dia.

Com toda essa variedade de alimentos transgênicos e a falta de informação para a população, é importante alertar que são vários os riscos destes para a saúde, tais como:

● Aumento das alergias: a alteração da estrutura genética do alimento pode desencadear alergias, pela formação de novas proteínas e aminoácidos no alimento.

● Aumento de resistência aos antibióticos: Para se certificar de que a modificação genética “deu certo”, os cientistas inserem genes (chamados marcadores) de bactérias resistentes a antibióticos. Isso pode provocar o aumento da resistência a antibióticos nos seres humanos que ingerem esses alimentos. Em outras palavras, pode reduzir ou anular a eficácia dos remédios à base de antibióticos, o que é uma séria ameaça ao tratamento de várias doenças.

● Aumento das substâncias tóxicas: Existem plantas e micróbios que possuem substâncias tóxicas para se defender de seus inimigos naturais, os insetos, por exemplo. Na maioria das vezes, essas substâncias não fazem mal ao ser humano. No entanto, se o gene de uma dessas plantas ou de um desses micróbios for inserido em um alimento, é possível que o nível dessas toxinas aumente muito, causando mal às pessoas.

Dica importante: sempre que possível, opte por alimentos não transgênicos. Não deixe de se interessar sobre o processo de produção dos alimentos, investigue se é transgênico ou se tem algum ingrediente modificado. Nossa saúde vem da qualidade dos alimentos, portanto temos que saber o que estamos comendo.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizada única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas:

Alimentos Transgênicos. Instituto Ana Paula Pujol. Disponível em: www.institutoanapaulapujol.com.br Acessado em: 24/03/2016.

Farias, SCG. Percepção dos Alunos da Universidade do Rio de Janeiro sobre a Produção e o Consumo de Transgênicos no Brasil. REDE – Revista Eletrônica do Prodema, 2014; v.8, n.1, p. 84-94.
Santos, SCR. Avaliação do conteúdo alimentos transgênicos, nos livros de biologia do ensino médio adotados pela rede pública no município de Cascavel – PR. [Monografia de Especialização]. Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFP, 2012.
Seralini, G. et al. Long term toxicity of a Roundup herbicide and a Roundup-tolerant genetically modified maize. Food and Chemical Toxicology 2012; v. 50, n. 11, p. 4221–4231.
Souza, JVS. Percepção dos consumidores do distrito federal sobre alimentos transgênicos. [Mestrado em Agronegócios]. Universidade de Brasília – UnB, 2013.
Tudo que você precisa saber sobre os transgênicos. Meu Prato Saudável. Disponível em: www.meupratosaudavel.com.br Acessado em: 24/03/2016.



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