sábado, 19 de março de 2016

Suplementação de Vitamina A



        A vitamina A foi a primeira vitamina lipossolúvel reconhecida e denominada retinol devido a sua função específica na retina do olho. O ácido retinoico também é uma forma metabolicamente ativa. É muito estável ao calor e à luz, mas muitos processamentos e a cocção podem causar pequenas perdas. Suas principais funções são:

Visão: é essencial para a integridade da fotorrecepção. Quando há uma deficiência de vitamina A, os bastonetes e os cones da retina não se ajustam às alterações de luminosidade. A cegueira noturna, ou a deficiente adaptação ao escuro, é uma consequência precoce quando estas células estão destituídas de vitamina A e está correlacionada à concentração sanguínea de retinol;

Crescimento e desenvolvimento ósseo: necessária para o crescimento e o desenvolvimento do esqueleto e das partes moles devido aos seus efeitos na síntese proteica e na diferenciação das células ósseas. Aparentemente o metabólito ativo nessa capacidade é o ácido retinoico. A ingestão adequada de vitamina A contribui para um desenvolvimento ósseo normal. Também é necessária para as células epiteliais formadoras do esmalte dos dentes;

Desenvolvimento e manutenção do tecido epitelial: o ácido retinoico também tem papel na manutenção da estrutura epitelial. A deficiência é acompanhada da queratinização das membranas de mucosas, o que dificulta a função de barreira protetora executada por essas membranas na proteção contra as infecções;

Imunidade: a deficiência de vitamina A aumenta a suscetibilidade a infecções bacterianas, virais ou parasitárias. O número de linfócitos T também pode diminuir na deficiência de vitamina A;

Reprodução: o retinol parece ser a forma ativa na manutenção da função reprodutiva; parece haver um envolvimento na síntese de hormônios esteroides ou um papel básico na diferenciação celular;

Função anticancerígena: estudos indicam que a deficiência de retinoides (retinol, ésteres de retinila e ésteres, ácido retinoico e ésteres de ácido retinoico) aumenta a suscetibilidade à carcinogênese. Os retinoides parecem ter um papel na promoção da diferenciação normal de células epiteliais e na manutenção do controle que impede o desenvolvimento de neoplasias malignas nestas células.

            A deficiência de vitamina A é responsável por uma série de problemas de saúde, tais como o prejuízo ao crescimento e desenvolvimento da criança, a dificuldade de enxergar no escuro, conhecida como cegueira noturna, a cegueira irreversível nas crianças, o aumento da gravidade de infecções comuns, como a diarreia e infecções respiratórias e o aumento da mortalidade infantil. 

            Para diagnóstico populacional de deficiência de vitamina A propõe-se a utilização de pelo menos dois indicadores biológicos, ou pelo menos um indicador biológico e, no mínimo, 4 fatores de risco doas abaixo listados:

● < 50% de crianças menores de 6 meses em aleitamento materno exclusivo;
● ≥ 30% de crianças de 0 a 3 anos com baixa estatura (zE < -2);
● ≥ 15% de crianças com peso ao nascer < 2.500g;
● > 75% para o coeficiente de mortalidade infantil;
● > 100% para o coeficiente de mortalidade em crianças de 1 a 4 anos;
● < 50% de cobertura vacinal completa;
● > 1% de letalidade por sarampo;
● > 50% de ausência de escolaridade formal feminina;
● < 50% dos domicílios com água tratada.

Prevenção

            Três estratégias são habitualmente empregadas na prevenção de deficiência de vitamina A: incentivo ao consumo de alimentos ricos em vitamina A e pró-vitamina A, administração periódica de megadoses de vitamina A e adição de vitamina A a um ou mais alimentos de consumo massivo pela população.

A vitamina A pré-formada (retinol) ("pronta para ser usada pelo organismo") é encontrada em alimentos de origem animal: vísceras (principalmente fígado), gemas de ovos e leite integral e seus derivados (manteiga e queijo).

       Os vegetais são fontes de vitamina A sob a forma de carotenoides (precursores de vitamina) os quais, no organismo, converterão em vitamina A. Em geral, frutas e legumes amarelos e alaranjados e vegetais verde-escuros são ricos em carotenoides: manga, mamão, cajá, caju maduro, goiaba vermelha, abóbora/jerimum, cenoura, acelga espinafre, chicória, couve, salsa etc.... Alguns frutos de palmeira e seus óleos também são muito ricos em vitamina A: dendê, buriti, pequi, pupunha, tucumã.

            A melhor fonte de vitamina A para o lactente é o leite materno e, portanto, a melhor ação preventiva é o incentivo ao aleitamento materno.

            Para prevenir e controlar a deficiência de vitamina A, o Ministério da Saúde oferece suplementação de vitamina A para crianças de seis meses de idade a menores de cinco anos nas regiões que participam do programa Brasil Carinhoso do Governo Federal.

   Em 2013, mais de três milhões e setecentas mil crianças foram suplementadas com vitamina A em mais de 2.500 municípios que integram o programa Brasil Carinhoso do Governo Federal.

   Segundo a Coordenação Geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, A suplementação é iniciada aos seis meses de idade e, a cada seis meses, ela volta à unidade básica de saúde para tomar outra cápsula de vitamina A. Então, de seis em seis meses ela está protegida e com aporte adequado de vitamina A. Dos seis meses aos 59 meses, ela tomaria aí nove cápsulas de vitamina A porque a cada seis meses ela deve retornar à unidade básica de saúde.

Quadro 1. Megadose administrada profilaticamente a grupos de risco.

Idade/Condição
Dose
Frequência
Crianças: 6 a 11 meses
100.000 UI
Uma vez a cada 6 meses
Crianças: 12 a 59 meses
200.000 UI
Uma vez a cada 6 meses
Puérperas no pós-parto imediato, antes da alta hospitalar.
200.000 UI
Uma vez.
Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria, 2007.

A forma de apresentação oral das megadoses de vitamina A é líquida, diluída em óleo de soja e acrescida de vitamina E, na dosagem de 100000 UI ou 200000 UI. A megadose é acondicionada em frascos, contendo cada um 100 cápsulas gelatinosas moles. As cápsulas apresentam cores diferentes, de acordo com a concentração de vitamina A.

A deficiência de vitamina A pode elevar a morbimortalidade por doenças infecciosas como o sarampo. Entretanto, o papel benéfico da suplementação de vitamina A em outras doenças infecciosas (pneumonia, vírus sincicial respiratório e diarreia infecciosa) ainda não é claro.

A OMS preconiza também a administração de megadose de vitamina A para crianças gravemente desnutridas no primeiro dia de internação, mesmo na ausência de sinais clínicos de deficiência de vitamina A, a menos que haja evidência segura de que uma dose de vitamina A foi dada no mês anterior. A dose é como segue: 50000 UI oral para crianças menores de 6 meses, 100000 UI para crianças de 6 a 12 meses e 200000 UI para crianças acima de 12 meses. Se há sinais clínicos de deficiência de vitamina A, além da dose inicial a administração deve ser repetida 2 vezes, na mesma quantidade anteriormente citada, no segundo dia e 2 semanas após. 




As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas:

Cadernos de Atenção Básica. Hipovitaminose A. Ministério da Saúde. Disponível em: www.bvsms.saude.gov.br Acessado em: 18/03/2016.

Conheça a importância da suplementação da vitamina A. Ministério da Saúde. Disponível em: www.blog.saude.gov.br Acessado em: 09/03/2016.

Deficiência de vitamina A. Sociedade Brasileira de Pediatria. Disponível em: www.sbp.com.br Acessado em: 18/03/2016.

Dunker, KLL; Alvarenga, M; Moriel, P. Grupo do Leite, Queijo e Iogurte. In: Philippi, ST. Pirâmide dos Alimentos: fundamentos básicos da nutrição. 1. ed. Barueri, São Paulo: Manole, 2008.

Martins, BT; Basílio, MC; Silva, MA. Nutrição Aplicada e Alimentação Saudável. 1. ed. São Paulo: Editora Senac, 2014.
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